Emerson Fittipaldi. Foto: Baguete.

Ele foi o primeio brasileiro a ganhar um título de Fórmula Um, primeiro do país a ganhar um campeonato de Fórmula Indy e também a vencer as 500 milhas de Indianápolis.

Para Emerson Fittipaldi, ser um pioneiro é um método de trabalho. Ao falar de tecnologia, o ex-piloto também mostra estar por dentro das novidades. Segundo ele, com o uso de tecnologias avançadas, o mundo das corridas agora é bem diferente do que vivia nos anos 70.

"Hoje o desafio do piloto é diferente, mas não quer dizer que ficou mais fácil", destacou Fittipaldi, 67 anos, que fez uma palestra no evento 3D Experience Brasil, promovido pela Dassault Systémes em São Paulo.

Há décadas atrás, o uso de computadores se limitava a poucos aspectos do veículo, como o controle de combustível e status do motor. Inclusive, o ex-piloto destacou que nos anos 70 a Lotus, sua primeira equipe na F1, chegou a usar softwares de aerodefesa (setor em que a Dassault é referência) para estudar a performance aerodinâmica de seus veículos.

No entanto, o campeão destaca que hoje os tempos são outros. Atualmente sistemas inteligentes fazem parte de praticamente todas as peças dos veículos.

"O uso de telemetria nos carros de corrida hoje em dia é impressionante. Por exemplo, uma McLaren possui cerca de 160 sensores telemétricos emitindo cerca de 1 gigabyte de informação por segundo para a equipe", aponta Fittipaldi.

Conforme explica o ex-piloto, hoje para ser um campeão nas pistas, não é preciso apenas saber controlar a direção, os pedais e o câmbio. Regulagem do carro, leitura dos dados e entendimento da tecnologia por trás do veículo cumprem um papel essencial.

"Isso é muito mais evidente hoje do que nunca. Michael Schumacher foi um grande campeão por conta disso, pois se interessava pelos detalhes do carro e o configurava de acordo. Ele mudava a regulagem de seu carro a praticamente cada volta", destaca Fittipaldi.

INOVAÇÃO

Para mostrar seu interesse em inovação automotiva, Fittipaldi é um dos promotores de um novo campeonato de automobilismo, baseado em protótipos com uso inteligente de tecnologias de combustível e aerodinâmica.

"A Le Mans Series é uma expansâo da tradicional corrida das 24 Horas de Le Mans, que agora terá corridas em outras pistas no mundo", explica o ex-piloto.

Empresas como Audi, Porsche e Jaguar participam do campeonato com seus carros-conceito. Segundo Fittipaldi, carros como o da Porsche usam tecnologias avançadas de otimização de combustível.

Segundo explica Fittipaldi, o P1 (Prototype 1) da Porsche usa uma tecnologia híbrida com diesel e energia elétrica. Ele possui um volante mais pesado, cuja força cinética é armazenada como eletricidade. Essa energia é usada em alterância ao diesel, economizando combustível.

"É uma categoria que estimula as montadoras a inovarem, e muitas destas inovações se refletem futuramente nos produtos que vão para as ruas", finaliza.