Com apenas quatro empresas no leilão, dois dos seis lotes não atraíram interessados. Foto: Marquisphoto/Shutterstock.com

As operadoras Claro, Tim e Vivo arremataram nesta terça-feira, 30, licenças nacionais de frequência para oferta de serviços de 4G, em um leilão que rendeu menos do que o esperado para os cofres públicos.

A Claro e a Tim ficaram com os lotes 1 e 2, respectivamente, oferecendo cada uma R$ 1,947 bilhão, apenas 1% de ágio nos dois casos. A Vivo pagará o lance mínimo de R$ 1,928 bilhão pelo lote 3.

A operadora regional Algar Telecom, que poderia elevar seu status para se tornar uma companhia nacional de telefonia, optou por fazer oferta apenas pelo lote 5 de frequências em sua área de atuação, com proposta de R$ 29,6 milhões, praticamente o mínimo previsto no edital da disputa.

A expectativa do Ministério da Fazenda era ter uma receita de R$ 8 bilhões com o leilão de 4G, mas os lotes vendidos vão reforçar o caixa do Tesouro Nacional em R$ 5 bilhões, segundo a Reuters.

Pelo lado das contas públicas, a frustração das expectativas com o leilão pode ser atribuída à ausência de outras empresas relevantes no leilão promovido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Oi e Nextel optaram por não participar da licitação.

Com apenas quatro empresas no leilão, dois dos seis lotes oferecidos não atraíram interessados: um que abrange o território nacional com exceção das áreas de cobertura das operadoras CTBC e Sercomtel e outro regional. Os preços mínimos desses lotes eram de quase R$ 1,9 bilhão e de R$ 5,3 milhões, respectivamente.

A soma das ofertas vencedoras foi de R$ 5,85 bilhões, mas o governo terá que assumir uma parcela do custo de limpeza da frequência de 700 MHz, atualmente ocupada pela radiodifusão analógica, já que duas licenças continuarão com a União, segundo explicou o presidente da Anatel, João Rezende.

O custo total da limpeza da faixa de 700 MHz é estimado em R$ 3,6 bilhões, dos quais cerca de três quartos serão pagos pelas empresas vencedoras do leilão e o restante pelo governo federal.

As operadoras móveis poderão utilizar as novas faixas para completar suas ofertas de 4G, após um primeiro leilão de frequências de 2,5 gigahertz (GHz) para esses serviços, em 2012, que levantou um total de R$ 2,93 bilhões.

Segundo dados do Teleco, o Brasil terminou julho com 3,7 milhões de acessos 4G (LTE), sendo 1,4 milhão de acessos (39,1%) da Vivo, 1,1 milhão da Tim (30%), 734,7 mil da Claro (20%), 364,3 mil da Oi (9,9%) e 38,4 mil da Nextel (1,04%).

No segundo trimestre, o mercado de telefonia móvel seguiu com a Vivo na liderança, com 28,78% do market share. A Tim é a segunda com maior fatia de mercado, com 26,91%, seguida pela Claro, com 24,95%. 

A 4ª da lista é a Oi, com 18,53% do mercado. Em 5º fica a Algar, com 0,40%, seguida por Nextel, com 0,37%.