Mark Hurd.

Modernizar para sobreviver. Essa foi a tônica do keynote de Mark Hurd, CEO da Oracle, durante o Oracle Open World em San Francisco. O termo parece batido, mas segundo o executivo, o desafio se mostra muito mais complicado.

"Hoje 80% dos orçamentos de TI são gastos em manutenção de estruturas complexas. 75% dos sistemas nas empresas são compostos de soluções customizadas altamente customizadas e inflexíveis, muitos deles com mais de 20 anos de idade. Como proporcionar experiências eficientes de TI a partir disso?", questionou Hurd.

Diferentemente do keynote de Larry Ellison, no domingo, que apresentou novos produtos e apontou novos caminhos para a marca, Hurd resolveu conversar diretamente com os CIOs, endereçando dúvidas e falando sobre o papel da Oracle com a nova postura de uma companhia de nuvem e soluções ponta-a-ponta.

De acordo com Hurd, hoje a empresa tem tecnologia em todos os níveis para oferecer soluções integradas que rivais como SAP, Salesforce e IBM não tem a capacidade de entregar.

"Não estamos focados em fins específicos. Estamos em uma posição única em relação à profundidade e amplitude de capacidades. Somos uma empresa de nuvem, mas somos principalmente uma empresa que oferece uma suíte de aplicações conectadas", destacou.

Com isso, Hurd fez a ligação com o desafio dos CIOs mencionado em seu keynote. Para o CEO da Oracle, para inovar as companhias querem escapar de sistemas complexos e ter que se dividir entre vários fornecedores para diferentes soluções.

"Nós podemos gerenciar os sistemas, storage, poder computacional. Nós podemos fazer esse trabalho e nossos clientes podem focar em inovação, que é a essência de seus negócios", afirmou.

Para isso, a oferta em nuvem, expandida através de aplicações (SaaS), database (PaaS) e infraestrutura (IaaS), deve cumprir um grande papel para estabelecer esta mudança.

Ao conversar com os jornalistas, Hurd foi incisivo ao dizer que a companhia está focada na nuvem. Embora não tenha revelado metas específicas, o plano é impulsionar o crescimento de SaaS e PaaS para ultrapassar os negócios On-premise (dentro de casa) da companhia.

"Estamos à frente da concorrência em SaaS e vamos levar isso agressivamente para o o mercado. Temos as capacidades para atender todos os mercados com nossa nuvem", disparou.

Para Hurd, o trabalho de CIO continua sendo um trabalho complicado. Segundo ele, o desafio dos executivos é empregar estes recursos para mudar suas estruturas e inovar em áreas como social, big data, mobilidade, entre outras.

"94% de nossos clientes estão dispostos a pagar mais para terem experiências melhores em seus ambientes. Mas com aplicações antigas e inflexíveis e restrições de dinheiro, é um trabalho difícil. Não tem CEO dando cheques o tempo todo para fazer isso", observou.

No caso da Oracle, um empresa conhecida por lidar com clientes de grande porte, esse desafio é ainda mais latente, conforme aponta Hurd. 

Para o CEO, os executivos de TI estão sob constante pressão, bombardeados com demandas internas e recebendo ofertas de vendedores de todos os lados.

"A pressão é enorme para inovar e se manter atualizado com o mundo atual, e isso tem que ser integrado em uma estratégia coesa para mudar estas organizações. E quando falamos de empresas grandes com legados ainda maiores e competidores agressivos, esta pressão cresce muito mais", observou Hurd.

* Leandro Souza cobre o Oracle Open World em San Francisco à convite da Oracle.