Carlos Moura. Foto: divulgação.

Para chamar a atenção em um mercado povoado de ERPs, a paulista Superlógica aposta na mira em um segmento específico de clientes: o de empresas com receita recorrente.

Formada em 2001 como um fornecedora de soluções de gestão para administradoras de condomínio, a empresa passou o último ano redesenhando sua plataforma de serviços digitais para expandir o leque de verticais atendidas, usando a expertise adquirida no segmento de condomínios, que lida com faturamentos recorrentes mês a mês.

Com isso, a empresa já expandiu sua oferta para três novos setores: além de condomínios, o ERP da empresa agora tem versões para imobiliárias, instituições de educação e fornecedores de serviços digitais por mensalidade.

“A contratação e pagamento de assinaturas, bem como a gestão dos valores recebidos, são extremamente estratégicos para qualquer negócio recorrente. Por outro lado, os ERPs tradicionais, que foram criados tendo como base os processos da indústria ou de varejo, não lidam de forma eficiente com esta complexidade”, explica Carlos Cêra, CEO da Superlógica.

Com a nova estratégia de produto e um foco renovado na prospecção de clientes de pequeno e médio porte, a Superlógica espera encerrar o ano de 2015 com crescimento superior a 50% em faturamento e cerca de 3 mil clientes ativos em sua base.

"Queremos aumentar nossa base de clientes em cerca de dez vezes nos próximos anos", afirmou Carlos Moura, líder de expansão da Superlógica.

Além de expandir a abrangência de sua solução, a empresa entrou no mercado de meios de pagamentos, com uma solução integrada com o ERP. Segundo Moura, a nova proposta já teve resultados nos negócios, com cerca de 80% dos novos contratos adquirindo ambas as soluções.

"A oferta integrada será fundamental para que a empresa alcance sua meta, que é superar os R$ 200 milhões em faturamento até 2019", explica o executivo.

A empresa tem dez verticais já mapeadas para receber versões do ERP da Superlógica, um plano que deve ser levado adiante no próximo ano, de acordo com a recepção das primeiras ofertas.

"Acreditamos que este mercado tem um grande futuro no país, que possui mais de 150 modalidades de serviços de receita recorrente, um mercado potencial de R$ 2 bilhões e nenhum software dedicado especificamente às suas necessidades", dispara Moura.

Para abrir o leque de ofertas, a empresa fez mudanças na estrutura de se software, que é oferecido no modelo SaaS. Uma delas foi de mover o código de seu ERP para uma plataforma, capaz de ser facilmente customizada para atender a novas demandas.

"Isso permite uma implementação e customização rápida e de baixa complexidade, o que facilita o nosso trabalho, já que trabalhamos no modelo de venda direta. Além disso, podemos ser rápidos em adaptar o software para diferentes clientes, desde fornecedores de software até clubes de assinatura de vinhos, por exemplo", afirmou Moura. Sediada em Campinas, a empresa possui cerca de 60 funcionários.

Um dos focos destacados pelo executivo da Superlógica é o do mercado de assinaturas digitais, que nasceu de uma demanda interna da companhia, que vende software como serviço (SaaS).

"Muitas startups já nascem com o modelo de receita recorrente, sem o conceito de venda para suas soluções, e não encontram um ERP que atende às suas necessidades", avalia Moura.

A entrada no mercado de pagamentos envolve o lançamento do Conta de Recebimento, serviço voltado a pequenas e médias empresas que as ajuda a cobrarem seus clientes usando boleto ou cartão de crédito, também uma forma de atrair mais clientes de renda recorrente.

Conforme explica Moura, o objetivo é otimizar o processo de pagamento para negócios recorrentes, reduzindo a inadimplência e cancelamentos por falta de pagamento - o chamado "churn".