Olivier Raussin, CEO da Project. Foto: divulgação.

A alemã Project A Ventures, fundada em Berlim há 15 meses, acaba de chegar ao Brasil, com meta de lançar e investir em 15 novos negócios até o fim de 2014.

A empresa tem aporte de € 50 milhões do Grupo Otto para investimento nos dois países, atuando no esquema “company builder”, que engloba venture capital e desenvolvimento de empreendimentos.

No Brasil, onde a sede é São Paulo, a companhia já iniciou os trabalhos: com mais de 40 colaboradores, há duas ventures em operação, uma com o e-commerce de produtos saudáveis Natue e outro com a e-store de vinhos Epicerie.

Os investimentos no comércio eletrônico se motivam em dados como os da eBit, que mostram que o país movimentou R$ 22,50 bilhões em e-commerce no ano passado, alta de 20% sobre os R$ 18,70 bilhões de 2011.

Na Alemanha a Project A já conta com mais de 15 ventures e 350 colaboradores empregados.
Olivier Raussin, CEO da Project A Ventures para América Latina e ex-diretor do Google e Youtube na França, explica que está aberto a três diferentes frentes de negócio para ampliar o negócio no Brasil.

Na mira, entram investimento em startups, joint-venture com empresas online de outros países interessadas no mercado brasileiro e parceria com lojas brasileiras que tenham potencial para entrar no mercado online.

Já os setores previstos para investimento incluem e-commerce, online service, adtech e mobile em estágios de incubação e aceleração.

“Também estamos abertos a co-investimento com outros investidores brasileiros”, explica Raussin. “Nosso processo de atuação está todo estruturado em três pilares: recrutamento, TI e marketing”, completa.

O executivo destaca que, para a Project A, o processo de seleção é um dos mais rigorosos.

“Buscamos os melhores profissionais nas áreas em que vamos atuar, com MBA em universidades de ponta, experiência em consultoria e habilidades analíticas”, revela o CEO.

Ainda segundo ele, o fundo pretende ampliar as operações na América Latina com aberturas no México e Colômbia, mas começou pelo Brasil devido a atrativos como desenvolvimento social, estabilidade econômica e liderança no mercado regional.

A atenção das empresas de venture capital ao país tem crescido progressivamente.

De acordo com um estudo do MIT, o venture capital alocado e comprometido com o mercado brasileiro cresceu 140% no número de negócios fechados entre 2010 e 2011, com aumento de 380% no número de dólares investidos no mesmo período.

O laboratório também mediu a “atratividade” do Brazil em 2012, colocando em 36º de um ranking de 161 países, oito posições acima do registrado na mesma análise realizada em 2010.

Já o 2º Censo Brasileiro da Indústria de Private Equity e Venture Capital, divulgado pelo Centro de Estudos de Capital de Risco da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da FGV-Eaesp, o investimento em empresas nascentes no Brasil cresce a uma média de 35% ao ano e as companhias em estágio inicial de desenvolvimento representam 41% dos aportes de capital de risco no país.

Conforme a pesquisa, que entrevistou 144 dos 180 fundos ativos no Brasil em 2011, o setor contava com um volume de US$ 36,1 bilhões de capital comprometido em 2009, concentrando foco em setores como TI e eletrônica, com 15% do volume total de investimentos, energia e óleo, também com 15%, farmacêutico/médico, com 11%, e agronegócio, com 8%.