Ser ou não ser, etc. Foto: AMilkin / Shutterstock

A importância crescente de análise de grandes massas de dados como um gerador de receitas para as organizações deve levar ao surgimento de um novo cargo C-level: o Chief Data Officer, ou CDO. Ou não.

Uma análise a la Caetano Veloso da situação é o que resta após uma comparação de diferentes pontos de vista sobre o tema. O que é certo, no entanto, é que a nova posição dos dados está aí para ficar. 

“Os dados são o novo petróleo: um recurso riquíssimo, mas apenas depois de extraído e refinado”, explica Carlos Tunes, executivo de Business Analytics do grupo de software da IBM, fazendo eco a uma metáfora que vem circulando com força no mercado de TI desde 2012.

A Big Blue tem fomentado ativamente a discussão sobre o surgimento do CDO e é fácil ver o motivo. A IBM está focada em ser a líder do novo mercado de Big Data, com uma combinação de computação em nuvem, softwares analíticos e o sistema de computação cognitiva Watson.

O primeiro CDO de uma empresa foi nomeado ainda em 2003, pelo banco americano Capital One. O Gartner prevê que até 2015, 25% das organizações no ranking Fortune 500 terão cargos do tipo.

Os Estados Unidos seguem liderando no assunto. O mesmo estudo do Gartner aponta que 65% dos profissionais com o cargo no mundo estão no país. No Brasil, uma estimativa da Frost and Sullivan coloca o número em 10 atualmente.

Por aqui, profissionais desse tipo estão concentrados em organizações de grande porte, a maioria no segmento financeiro como Itaú, Bradesco e Boa Vista Serviços. O Grupo Abril também tem um profissional na área.

“Essas empresas estão no mesmo patamar ou até melhor do que os Estados Unidos. Porém a grande maioria está totalmente perdida”, acredita Mário Faria, um dos CDOs pioneiros do Brasil, nomeado para o cargo na Boa Vista em 2011. “A IBM é a única empresa de tecnologia que entendeu o papel do CDO e faz um trabalho para criar uma comunidade”, agrega o executivo.

Faria reside desde 2013 nos Estados Unidos, onde trabalha atualmente em uma consultoria especializada no assunto, a CDO. 

De acordo com o executivo, uma cara conhecida no Sul por ter sido gerente para a região da Microsoft entre 1999 e 2001 e um dos sócios da integradora de sistemas Compasso a decisão de se mudar para os EUA foi pessoal e não tem que ver com as possibilidades de trabalho para CDOs no Brasil.

Segundo dados do Global Institute for IT Management, uma organização americana que tem promovido formação profissional para CDOs, com planos inclusive de oferecer cursos no Brasil, a origem dos executivos ocupando o cargo é dividida entre 60% vindos das linhas de negócio e 40% para a área de TI.

Isso se dá devido ao fato de que, apesar de incluir aspectos eminentemente tecnológicos como extração, manutenção e proteção de dados, as tarefas do CDO envolvem também buscar estratégias para gerar valor a partir dos dados, o que, no final das contas, determina o que extrair, manter e proteger.

Os profissionais de tecnologia não tem feito um bom trabalho de manter essas atribuições dentro dos seus departamentos, opina Jerry Luftman, diretor do Global Institute for IT Management.

“O departamento de TI deveria estar fazendo o business case e os indicadores de performance (KPI, na sigla em inglês) dos projetos de dados”, afirma Luftman. “Essa área abre um espaço para TI deixar de ser vista como centro de custos para gerar negócios”, agrega o especialista. 

Para Luftman, o segredo para um projeto de dados ser liderado com sucesso pela TI é começar a discussão sobre o mesmo com as demais áreas de negócio. “O primeiro passo não pode ser chamar um monte de DBAs e programadores”, brinca Luftman.

* Maurício Renner viajou a Las Vegas para o IBM Insight em Las Vegas a convite da IBM.