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O Rio Grande do Sul pode ser o segundo estado brasileiro a adotar o Sistema de Detecção de Disparos (SDD) da californiana Shotspotter. 

É o que se deduz da entrevista com Roberto Motta, diretor da ASI Brasil, que revela estar em negociações avançadas com um município da região metropolitana de Porto Alegre.

Além da provável implantanção na cidade gaúcha, o equipamento será instalado, ainda no primeiro trimestre do ano, na cidade do Rio de Janeiro. Ao custo de R$ 3 milhões, o sistema irá abranger uma área de 5 km2 no bairro da Tijuca.

A tecnologia, que promete redução de até 40% da taxa de homicídios e de 70% da troca de tiros em áreas públicas, consiste na instalação de sensores de áudio camuflados em áreas urbanas.

Em caso de disparo de arma de fogo no perímetro coberto os sensores emitem alertas a uma cental de polícia ou órgão de segurança, ou a dispositivos portáteis utilizados por policiais que estejam em diligência. Os instrumentos ainda distinguem o que é tiro do que é fogo de artifício ou outro evento, de acordo com a assinatura acústica.

Entre os argumentos de Motta para introduzir no país o SDD está o de que o Brasil hoje não teria problemas de falta de recursos, mas de tecnologias que possam ajudar os administradores públicos a combater o crime. 

O orçamento para 2009 da Secretaria de Segurança Pública do estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, foi fixado em R$ 186 milhões. Desse montante, R$ 21 milhões foram aplicados somente na compra de 550 viaturas. São números que reforçam a tese do executivo quanto à disponibilidade de recursos.

No Brasil, o SDD da ShotSpotter é representado desde agosto de 2009, com exclusividade, pela ASI Brasil, que realizou investimentos de cerca de R$ 2 milhões, referentes à infraestrutura, treinamento de dez funcionários especializados em projeto e consultoria de segurança pública, além da adaptação da tecnologia.

“Esperamos o retorno entre dois e cinco anos, com a implantação do sistema em cada uma das capitais do país. Acredito que o mercado brasileiro tem potencial para ser três vezes maior que o americano. A intenção é tornar o Brasil centro de excelência e exportar para a América Latina e também para a África”, declara Motta.

Já o presidente e executivo-chefe da ShotSpotter, James Beldock, esteve no Brasil ano passado e revelou planos de investir entre US$ 10 e 15 milhões em ações de venda e marketing no país nos próximos três anos.

A empresa também estaria escolhendo integradores de sistemas e um fabricante local para os equipamentos. A meta é que a produção consuma mais US$ 4 milhões.

Nos Estados Unidos o sistema foi adotado em 45 cidades, desde metrópoles como Washington, Chicago, Boston e São Francisco, até localidades menores como Paterson, distrito de Nova Jersey com população estimada em 11 mil habitantes.  

Em Los Angeles, segunda cidade mais populosa dos EUA, com mais de 3 milhões e oitocentos mil habitantes, o número de homicídios caiu 40% na região onde a tecnologia foi usada.

Ainda, de acordo com Beldock, nos últimos quatro anos as cidades americanas que adotaram o sistema conseguiram salvar a vida de 220 pessoas que foram baleadas porque a polícia e o serviço médico chegaram rapidamente aos locais do crime.

Além dos Estados Unidos, o sistema foi instalado apenas na América Central, em Trinidad Tobago.

O custo de aquisição do SDD gira em torno de R$ 400 a 600 mil por km2, conforme a topografia do local, mais manutenção anual de 5% do valor do equipamento. De acordo com o diretor da ASI, o investimento é menor do que o empregado em tecnologias similares, como por exemplo, sistemas de câmeras de vídeo.

Motta conheceu o produto há dois anos, quando trabalhava em uma multinacional americana. A partir de então visitou as instalações da ShotSpotter, se convenceu da funcionalidade do sistema e decidiu importá-lo para o Brasil.

Na época havia uma restrição de importação da tecnologia, então considerada de segurança nacional americana. Com a queda da barreira, há cerca de um ano, Motta iniciou os procedimentos para comercializar o sistema no país.

Em relação à eficiência do SDD, o diretor defende o seu aspecto preventivo. “Existe uma percepção equivocada no Brasil de que a polícia não resolve o crime porque não quer, pois sabe onde estão os criminosos. Mas a maior aplicação do produto não é a de mandar uma viatura imediatamente ao local do disparo, mas a de permitir à polícia mapear a mancha criminal e planejar o território de atuação”, argumenta.