A leitura do jornal de domingo geralmente começa pelo caderno de empregos, através dele podemos ter uma boa noção dos sintomas da economia nos diferentes segmentos de mercado. Pode ser até coincidência ou acaso, mas está semana tivemos o maior número de anúncios de empresas de tecnologia solicitando profissionais para cobrir seus novos postos de trabalho. Isso mostra um reaquecimento do mercado de TI gaúcho, pois a indústria em geral já respirou a retomada há alguns meses, e sabido que historicamente logo após é chegado o momento de outros segmentos que estão ligados à indústria.

O interessante dos anúncios é que podemos identificar claramente que as empresas anunciantes conseguiram um novo contrato e estão buscando os profissionais para implementar ou executar o projeto. Se as empresas contratantes (clientes finais) fizessem a exigência do currículo dos profissionais em anexo na proposta técnica, isso seria o caos para as empresas de TI. Muito compreensível a postura das empresas de TI, pois ninguém mantém em estoque pessoal sem estar faturando. Por outro lado, sabemos que existe um período de adaptação do novo colaborador a empresa, ao projeto, a forma de trabalho do gerente do projeto (ou será ele o gerente do projeto) e por aí vai...

Outro ponto curioso é a nossa surpresa quando lemos um anúncio solicitando profissionais para uma plataforma ou produto que não vemos mais no dia a dia de oferta e concorrência no mercado. O produto em questão é o ZIM e eu sou suspeito para falar, pois trabalhei vários anos na RCM e ajudei a fazer a base instalada do produto aqui no Estado. Poderia ser outro produto como o Cobol, Basic etc..., não importa, a curiosidade é saber se um anúncio como este recebe respostas, quanto o profissional irá cobrar para trabalhar com uma coisa do passado, quem irá perder o seu precioso programador ZIM para este contratante entre outras perguntas. As empresas de tecnologia precisam ter tanto na sua veia a inovação que parece um pecado trabalhar com um produto antigo e ganhar dinheiro com ele, mas não é nem um pouco um pecado, mas reconheço que tempos atrás fiquei pasmo com a descoberta de que tem gente ganhando dinheiro no "mercado de tecnologia" prestando serviços de digitação. Sim é verdade.

Minha reflexão final sobre o assunto é sobre o papel das instituições de ensino na formação e geração de recursos humanos para o mercado de trabalho. Mesmo com os diversos convênios, centros de tecnologia e outras iniciativas entre o mercado e as universidades, ainda existe uma lacuna muito grande entre o perfil do profissional que o mercado está contratando e os profissionais que a faculdade fornece ao mercado. Praticamente a indústria de software faz "outro" grande investimento financeiro sobre o profissional recém formado que poderia ser considerada uma nova faculdade e o pior, não existe nenhuma garantia como aquelas que existem nos clubes de futebol. O contrato do aspirante a profissional da escolhinha de base pertence ao time que está fazendo todo o investimento de tirá-lo da favela e dar-lhe todo o suporte necessário para o seu crescimento e caso ele seja contratado por outro time, todo o investimento é retornado com dividendos. Eu acredito que se existisse esse tipo de garantia, nosso mercado poderia formar muito mais craques...