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A Perto vai investir US$ 35 milhões na construção de uma fábrica de terminais de autoatendimento na Índia.

O presidente da empresa, Thomas Elbling, prefere não fazer projeções sobre o faturamento da filial indiana, mas é fácil ver que a Perto tem altas expectativas em um país que tem um grande mercado potencial para ATMs.

Para começar, a fabrica terá, na largada, uma capacidade de produção entre 600 e 800 caixas ao mês, aproximadamente o mesmo volume da sede gaúcha, onde a companhia está investindo no momento R$ 38 milhões para elevar a capacidade em 75%.

O mercado potencial é enorme. Com uma população seis vezes maior que a brasileira, a Índia tem 75 mil caixas automáticos instalados no país, contra 200 mil do Brasil.

“O governo indiano está fazendo um grande esforço para identificar toda a população e melhorar o pagamento de benefícios sociais. A única maneira de atender à demanda é com automação”, analisa Elbling, que está expondo os produtos da companhia na Cebit, em Hannover.

A fábrica está sendo projetada há um ano e deve ser localizada em Jaipur, cidade que é a capital do Rajastão e está a 250 km de distância de Nova Dheli.

No local, serão montados os ATMs, cujos módulos mais sofisticados, como as telas e o dispensador de cédulas, seguirão sendo fabricados na gaúcha Gravataí.

Este último componente é crítico – ninguém gosta de receber dinheiro a menos ou dar a mais – e equivale a 40% do custo.

As demais partes, como o cofre, que têm menos valor agregado e pesam mais, serão feitas na Índia, dando mais competitividade ao produto final.

Alem do preço, a Perto, que faturou R$ 320 milhões em 2011, quer ganhar espaço na Índia fazendo valer outros fatores.

“O cliente brasileiro é muito exigente e nós temos uma capacidade de customização incomparável com a concorrência”, acredita Elbling.

Se no Brasil a capacidade é usada para atender o alto nível de sofisticação dos clientes, na Índia ela será usada para encontrar soluções que reduzam o custo e simplifiquem ao máximo a manutenção dos aparelhos.

Um dos caixas que a Perto está exibindo na Cebit tem o dispensador de células baseado no motor de um para-brisas de carro e usa a mesma bateria das motos, onipresentes nas ruas indianas.

Um painel solar garante a energia durante os constantes cortes de abastecimento.

A tela é igual a de um aparelho de cartões de crédito – produto que a Perto é a única fabricante latino-americana – e o controle é biométrico.

Como a ideia é pagar benefícios sociais de pouco valor por pessoa, a máquina não tem o aparato de segurança dos caixas brasileiros.

A movimentação da Perto também pode ser vista no contexto mais amplo do crescimento das relações comerciais brasileiras com a Índia, que aumentaram mais de sete vezes desde 2003, chegando em 2010 a US$ 7,7 bilhões.

É pouco, se comparado ao comércio com a China, outro gigante asiático que é líder em comércio exterior com o Brasil, com uma balança de mais de US$ 55 bilhões, mas representa uma chance para pioneiros.

“Eu admiro o trabalho que a Marcopolo fez para levar uma carroceria mais competitiva para o mercado indiano. Acho que podemos fazer igual”, projeta Elbling.

*Maurício Renner cobre a Cebit 2012 à convite da Softsul