A gaúcha Skydrones fechou parceria com a coreana Nes&Tec para o desenvolvimento conjunto de Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs).

Um dos primeiros benefícios da parceria é o acesso a uma solução de hardware e software que estabiliza imagens em VANTs de asa fixa – melhorando a qualidade das capturas.

Segundo Ulf Bogdawa, um dos sócios da Skydrones, a Nes&Tec é a única empresa que provê esse tipo de recurso no mundo.

A parceria poderá ser ampliada, porém, Bogdawa não oferece detalhes sobre os desdobramentos, nem os termos da joint-venture.

Ele diz, no entanto, que a empresa, Instalada no Parque Tecnológico São Leopoldo (Tecnosinos), na Unisinos espera colher os primeiros frutos da parceria até 2012, ano em que a meta é dobrar o faturamento.

Enquanto a empresa brasileira terá acesso à tecnologia coreana, a Nes – companhia que completa oito anos no próximo dezembro e que já desenvolveu para o exército e empresas coreanos – terá seus equipamentos vendidos no Brasil.

Hoje, a Skydrones trabalha com a montagem por demanda dos VANTs, com tecnologias alemã e canadense. Com quatro empregados, a empresa dispõe atualmente de modelos com seis motores, para uso em operações de segurança, tanto pública como privada, com imagens.

As máquinas custam de R$ 35 mil a R$ 70 mil, dependendo do tipo de câmera.

VANTs explodindo
Há um ano e meio no mercado, Bogdawa diz que o VANTs estão “explodindo”, no melhor dos sentidos. A Skydrones tem contratos com a Brigada Militar (BM) e uma empresa do Polo Petroquímico no Rio Grande do Sul.

Em nível nacional, o Exército investe no setor, e aposta nesses equipamentos para a vigilância de fronteiras e o combate ao tráfico de drogas. Graças ao desenvolvimento militar, os VANTs brasileiros já foram disponibilizados para a Bolívia, além de receberem ofertas de compra da Venezuela.

Grande parte dessa demanda nacional, no entanto, é absorvida por empresas de São Paulo.

Ao todo, calcula Bogdawa, há cerca de cinco companhias trabalhando com esse tipo de equipamento, sendo uma das mais conhecidas a Flight Tecnologies, instalada no Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP).

Outras incubadas, como a Xmobots, da Universidade de São Paulo (USP), foi noticiada no mês passado como a primeira a produzir um aparelho do tipo com certificação da Anac.

De olho no campo
Com atuação mais local, a Skydrones aposta no perfil econômico gaúcho para decolar seus aviõezinhos.

“Nós estamos tentando fazer algo novo no Rio Grande do Sul, com grande potencial. Imagina você fazer o mapeamento de uma lavoura com um voo não tripulado. É muito mais fácil”, diz o empresário.

Bogdawa se refere à agricultura de precisão. Basicamente, um conjunto de técnicas e tecnologias que procuram diminuir o custo e o desperdício na produção agrícola. No Rio Grande do Sul, a técnica mais comum envolve o uso de veículos e GPS para mapeamento.

“O Brasil é mais orientado a commodities e menos ao desenvolvimento tecnológico. Isso atrapalha, mas pode ser usado como oportunidade em certas regiões”, finaliza Bogdawa.

Outros usos seriam o monitoramento de desmatamento, sugere o empreendedor.

São Léo em Seul
A parceria é mais um fruto da aproximação da Unisinos com a Coreia do Sul, iniciada com a Hana Micron optando pelo o parque de São Leopoldo para instalar sua fábrica de semicondutores – investimento de R$ 200 milhões em equipamentos, pelos coreanos.

Em junho, uma missão da Unisinos foi à Coreia do Sul para um programa de capacitação, que incluiu encontros com empresas locais – entre elas a Nes&Tec.

Os VANTs
Inicialmente idealizados para fins militares, os VATNs descrevem aeronaves não tripuladas, controladas à distância por um usuário.

Além das áreas de defesa e segurança, os equipamentos têm aplicação agrícola e mesmo ambiental.

Os VANTs podem ter asa fixa – similares a um avião – com foco na velocidade e na cobertura de áreas, ou podem ter asas móveis – se assemelhando a um helicóptero – para monitoramento local, com a aeronave parada.