CEO da Foxconn, Gou Tai-ming

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Nem todo mundo ficou empolgado com o anúncio de US$ 12 bilhões de investimentos para o início de uma operação de fabricação de tablets da Foxconn no Brasil.

O presidente da  ISA Distrito 4, coligada à International Society of Automation (ISA), Jorge Ramos, vê a notícia com suspeita:

“Por trás, pode haver uma estratégia para colocar, sob o mesmo guarda-chuva, outras linhas  de montagem de produtos eletrônicos e de automação subsidiados pelo governo chinês”, avalia Ramos.

A justificação para as suspeitas de Ramos reside no valor do investimento.

Segundo o presidente, uma refinaria de petróleo, com toda a sua complexidade, consome recursos de US$ 8 bilhões a US$ 10 bilhões e um contingente de seis mil engenheiros e técnicos.

“Causou-nos espanto o valor do investimento anunciado pelos chineses exclusivamente para a fabricação de tablets no Brasil, e a necessidade de 35 mil profissionais”, aponta Ramos.

Entre as consequências mercadológicas temidas está a fabricação de outros produtos, que não apenas os esperados iPads, em território brasileiro, com apoio do governo chinês, o que poderia trazer “danos gravíssimos à nossa indústria e ao mercado de trabalho”, segundo o executivo.

Mercadante rebate
Para a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), há o temor de que o anúncio da Foxconn seja uma jogada para evitar que o governo adote medidas para desestimular a importação de produtos eletrônicos da China.

A Abinee chegou a enviar um documento ao ministro Aloizio Mercadante, da Ciência e Tecnologia, manifestando suas preocupações, na semana passada.

Em resposta a algumas manifestações contrárias e críticas ao projeto, Mercadante disse que os críticos desconhecem o projeto e que os US$ 12 milhões, considerados exagerados, não serão investidos numa fábrica apenas, mas num complexo industrial.

Foxconn, made in Brazil
A Foxconn é uma das maiores fabricantes de componentes eletrônicos do mundo, está presente em 14 países e conta com três fábricas no Brasil, localizadas em Manaus, no estado do Amazonas, e duas no interior de São Paulo.

Com o investimento, a companhia também anunciou que, a partir de novembro, fabricará iPads no território brasileiro.

A multinacional foi fundada em 1974 em Taiwan e mantém no sul da China cerca de 400 mil funcionários. Monta computadores e aparelhos para empresas como Apple, Intel, Dell, Motorola, Sony e Nintendo.

No Brasil, as atividades começaram em 2005, com a fabricação de celulares e mais tarde, máquinas fotográficas digitais.

A ISA Distrito 4 é coligada à  International Society of Automation (ISA), principal organização mundial do setor de Automação Industrial,  que reúne cerca de 30 mil membros em mais de 50 países.

É o terceiro maior Distrito dentre os 14 que constituem a sociedade e suas atividades abrangem os países da América do Sul e Trinidad.