A Planejar, empresa de soluções de rastreabilidade bovina, quer multiplicar seu faturamento por 10 nos próximos dois anos apostando em bichos um pouco menores: cães e gatos.

A companhia acaba de lançar o Syspet, uma solução de rastreamento focada em animais de estimação, com o qual pretende saltar de um faturamento de R$ 8 milhões no ano passado para R$ 100 milhões em 2013.

“É uma loucura! É um mercado muito aquecido, e um negócio que vai acontecer, com certeza”, empolga-se Luciano Antunes, diretor da Planejar, destacando que os “pets” movem um mercado de R$ 10 bilhões no Brasil em 2011.

Quase um seguro animal
Os clientes do Syspet, cujo desenvolvimento demorou um ano e meio e custou R$ 2 milhões, pagam uma mensalidade e passam a contar com diferentes níveis de proteção ao animal de estimação.

Num primeiro nível, são divulgados nome e foto numa rede social de segurança, por uma mensalidade de R$ 5,90. A rede é composta de outros donos de animais, petshops, clínicas veterinárias, ONGs de proteção aos animais e voluntários.

São 26 mil participante atualmente, concentrados em Porto Alegre e São Paulo.

Quando o dono dá falta do bicho, dispara uma enxurrada de alertas, acionando a rede de cuidadores automaticamente. Essa ativação pode ser feita pela internet ou por aplicativos em smartphones.

“Estamos em todos os estados do país, mas tem alguns lugares onde a demanda, e a mobilização, é maior. No Rio também estamos crescendo muito”, completa Antunes.

Gato com GPS
Donos mais preocupados podem assinar um plano por R$ 49,90, que inclui microchip, coleira com GPS e até alarmes para os animaizinhos mais fujões.

O preço mais salgado, diz Antunes, se justifica. O chip subcutâneo injetado na parte de trás do pescoço do animal traz informações como temperatura corporal e outros indicadores.

“É um recurso para se garantir que o animal é aquele mesmo. É claro que o dono conhece, mas vai que pega um gato siamês, ou um labrador, cujo padrão é bastante parecido...”, complementa o executivo.

Comparado aos chips usados nos bois, cuja possibilidade de fuga é relativamente menor, o componente para os pets custa quase cinco vezes mais – o custo passa de R$ 6 (bovino) para R$ 25.

Além da tecnologia, diz o diretor, existe a questão da quantidade adquirida.

“Quem compra pra boi leva uns 25 mil. Para cachorro e gato, vai no máximo uns três”, diz Antunes.

Parceiros dos animais
Enquanto o animal não se perde, o dono conta com um diário dos passeios, histórico médico e de vacinas, e outras informações, num tipo de rede social do animalzinho de estimação.

Às mensalidades e equipamentos, somam-se as parcerias que a Planejar tem firmado para engrossar o faturamento com o Syspet. Clubes de futebol com ferramenta personalizada, empresas de ração, operadoras de telecom e petshops são alguns dos possíveis parceiros.

“O custo básico é muito inferior ao de um banho numa petshop. E para manter a segurança do bichinho, com certeza vale a pena”, opina Antunes.

Pesquisa realizada pela pela consultoria GSMD, o setor cresceu 8,5%, em 2010 na comparação com 2009 (último dados disponível), chegando a cerca de 50 milhões de animais de estimação no país.

De acordo com a pesquisa, os donos gastam anualmente uma média de R$ 2 mil com seus pets.