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O PT prepara um “manual do tuiteiro petista”, com táticas de "guerrilha virtual" visando as eleições municipais de 2012.
 
Segundo informações da Folha de São Paulo desta terça-feira, 18, o partido quer  treinar militantes para fazer propaganda e criticar a mídia em sites de notícias e redes sociais.
 
A criação dos chamados MAVs (núcleos de Militância em Ambientes Virtuais) foi decidida no 4º congresso do partido, em setembro.
 
"Vamos espalhar núcleos de militantes virtuais por todo o país", afirmou ao jornal o petista Adolfo Pinheiro, encarregado de coordenar a ação. “Quando sai algo contra um governo petista, a mídia faz escândalo, dá página inteira no jornal. Temos que ir para cima”, disse Pinheiro.
 
Lições da eleição
Não é de agora que o PT tem feito movimentos para profissionalizar a campanha nos meios digitais.
 
Durante a eleição presidencial, o partido chegou a contratar a americana Blue State Digital – a responsável pela celebrada campanha digital de Barack Obama.
 
O saldo geral, no entanto, não foi positivo.
 
Ao longo da campanha, o trabalho do gaúcho Marcelo Branco como coordenador das ações digitais proporcionou constrangimentos a Dilma como a postagem de uma entrevista na qual a então candidata cometia alguns deslizes.
 
Em comentário enviado à redação do Baguete, disponível na íntegra abaixo, Branco destacou que a entrevista – na qual ele atuou como entrevistador – foi executada, editada e postada pela equipe de comunicação institucional da campanha e pela empresa contratada.
 
Outro tema controverso foram as correntes de e-mails com ataques à candidata, apontados como um dos motivos pelo qual Dilma não venceu o adversário José Serra ainda no primeiro turno.
 
Em seu comentário, Branco destaca que o monitoramento, envio e segmentação de emails, também estava a cargo da equipe de comunicação institucional que gerenciava as ferramentas da Blue State Digital.
 
O profissional frisa ainda que a equipe sob a sua coordenação era responsável pela comunicação e mobilização nas “novas mídias” como Orkut, Facebook, Twitter, YouTube e blogueiros independentes de veículos, nos quais Dilma teria obtido uma vantagem “muito superior ao resultado eleitoral”.
 
“O nosso monitoramento e análise feita pela agência FSB mostraram que mesmo nos temas mais sensíveis como questões morais, aborto, questões religiosas a vantagem de Dilma sobre Serra foi enorme”, completa Branco.
 
Procurado pelo Baguete Diário durante as eleições 2010, Branco afirmou que o controle das correntes de e-mail ficou no “vácuo” durante o primeiro turno da campanha.
 
E-mail na campanha Obama
O correio eletrônico foi um dos destaques da campanha de Obama: a estimativa é que pelo menos  2/3 dos US$ 500 milhões arrecadados online pelo candidato tenham vindo por disparos de e-mails.
 
A campanha do candidato americano chegou a comprar AdWords relacionados aos principais boatos sobre Obama – entre eles o fato de que ele seria muçulmano – de forma que ao receber uma corrente no Gmail, o internauta já visse o desmentido dos Democratas.