Carlson Aquistapasse, presidente da Procergs

Apesar da onda de ataques hacker não ter causado danos nos três sites de municípios gaúchos monitorados pela Procergs, a companhia deve permanecer em alerta enquanto as ameaças persistirem.

Segundo o presidente da estatal, Carlson Aquistapasse, não se brinca com esse tipo de aviso.

“Estamos em alerta máximo no monitoramento dos nossos três mil sites desde a quarta-feira (dia 22), e vamos permanecer assim até que as ameaças se dissipem. Com esse tipo de coisa não se brinca”, disse Aquistapasse, lembrando que a estatal também é responsável pelos portais do governo do estado.

RS na mira
O diretor relembra que não existe, no histórico da empresa, registro de ataques que tenham obtido sucesso, especialmente no que tange à invasão de servidores e obtenção de dados.

A maioria das movimentações, revelou, dizem respeito à sobrecarga de acesso às páginas. E mesmo assim, nada fora do normal.

“Ainda assim decidimos manter o alerta porque não existe segurança 100%”, completa.

Novos atackes de grupos hackers tiraram do ar pelo menos 500 sites governamentais nesse feriado.

O anúncio foi feito pelos próprios hackers, dos grupo Fatal Error e LulzSec Brasil. No Rio Grande do Sul, as ações do primeiro grupo, teriam afetado 130 páginas de prefeituras e órgãos governamentais.

Do total da lista divulgada, apenas três seriam clientes da Procergs.

De olho nos .gov
No nível federal, as páginas da Presidência, Receita, Petrobras e IBGE estão entre os alvos desde a última quarta-feira, 22.

Segundo informações do jornal Zero Hora, um dos objetivos dos hackers seria divulgar dados confidenciais. O LulzSec, por exemplo, postou no Twitter um arquivo com o que seriam dados da presidente Dilma e do prefeito de São Paulo.

Ainda conforme o jornal, sites ligados à Federação das Associações de Municípios (Famurs) também foram atacados e derrubados, além de páginas da Confederação Nacional de Municípios (CNM).

Já o Serpro informa que os hackers congestionaram o acesso em sites do governo na madrugada usando múltiplos acessos por um sistema de robôs.

O site do IBGE ficou fora do ar nesta sexta-feira, 24. A página do Instituto aparecia desde a madrugada com o título "IBGE Hackeado - Fail Shell". Logo abaixo, foi publicada uma imagem de um olho humano, nas cores da bandeira nacional e com a inscrição "Ordem e Progresso".

A página apresentava ainda uma mensagem dizendo que este mês o governo "vivenciará o maior número de ataques de natureza virtual na sua história feito pelo Fail Shell".

Ideologia bagunçada
Segundo o texto, esses ataques são uma forma de protesto "de um grupo nacionalista que deseja fazer do Brasil um país melhor". Havia ainda uma observação em relação a importantes grupos de hackers, como LulzSec e Anonymous, ressaltando que no Brasil "não há espaço para grupos sem ideologia".

Na manhã dessa sexta, a página do IBGE na Internet ficou inacessível, e as mensagens foram retiradas.

O tom politizado do grupo esconde, segundo especialistas consultados pelo jornal Valor econômico, a desorganização ideológica e a falta de propósitos claros para os ataques.

“É mais uma questão de aproveitar a onda lá de fora e a própria sensação de liberdade propiciada pela internet”, observa uma das fontes do jornal.

Segundo ele, nenhum dos dados revelados até agora se encaixa no propósito declarado pelo grupo, por exemplo.

O Valor relembra que não é só no Brasil que os ataques dos grupos de hackers tendem a parecer aleatórios. Há algumas semanas, a rede de TV pública PBS, dos Estados Unidos, teve seus sistemas invadidos depois de exibir um documentário que trazia críticas ao movimento hacker.

Alguns dias depois, as desenvolvedoras de jogos Codemasters e Nintendo também foram vítimas dos grupos. As ações, que tiveram como resultado a divulgação de informações pessoais de milhares de usuários de serviços on-line das companhias, não receberam nenhuma justificativa.

Tiro no pé
Além de obter dados e pregar sua ideologia, os ataques seriam motivados pela defesa dos direitos dos internautas, e seriam parte de um levante maior onde a liberdade e a neutralidade da rede estariam ameaçadas.

Para o advogado Omar Kaminski, que foi ouvido pela revista Consultor Jurídico, o ataque no Brasil pode sair pela culatra, e servir de pretexto para a aprovação do projeto de lei de cibercrimes que tramita há mais de 10 anos no Brasil.