Foto: Divulgação/PMPA

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Uma alteração no edital para o concurso da Procempa, publicada na última quinta-feira, 29, abriu espaço para os tecnólogos participarem da seleção, podendo aumentar o número de candidatos.

Lançado no meio do mês passado, o concurso oferece 70 vagas com salário variando de R$ 1,7 mil a R$ 5 mil.

A mudança levanta um antigo debate sobre formação na área: bacharel ou tecnólogo?

De acordo com o quadro
Segundo a FMP Concursos, responsável pelo processo seletivo, o edital original, de 21 de março,  não estava de acordo com a resolução interna da estatal que permite tecnólogos no quadro funcional. Por isso foi feita a mudança.

Na prática, a alteração foi simples: a palavra bacharel foi retirada dos pré-requisitos do cargo.

O termo chamou a atenção dos leitores do Baguete Diário, que se manifestaram sobre o assunto nos comentários da matéria sobre o concurso.

Outro leitor, que se identificou apenas como Alexandre, disse que a decisão de restringir ao bacharelado era incoerente com o plano de modernizar o quadro funcional:

“Isso vai totalmente contra o rumo do ensino e das tendências de TI em nosso país e no exterior”, escreveu.

As diferenças...
Apesar de ambos terem formação superior, o tecnólogo é visto como um curso mais focado nas práticas de mercado e na produção, enquanto que o bacharel estuda o aspecto científico e teórico, ainda que teoria e prática apareçam em ambos, explica uma resolução do Conselho Nacional de Educação.

Para quem opta por um ou outro, ser tecnólogo ou bacharel pode representar dois anos a mais dentro da faculdade.

Uma mesma universidade na região metropolitana de Porto Alegre, por exemplo, oferece cursos em ciências da computação com até cinco anos de currículo; os tecnólogos na mesma área são de três anos.

A qualificação obtida, no entanto, divide quem atua na área.

"Não queira comparar o que um bacharel em ciência da computação com o que algum tecnólogo", comentou um leitor do Baguete, identificado como Cezar.

Segundo o comentarista, no  bacharel se aprende muito mais do que o tecnológo que "vê somente o que está na moda", na opinião dele, enquanto o bacharel entende como são criadas as linguagens e tem um background muito grande para aprender e desenvolver inovações.

… fazem diferença
Segundo Giovana Strano, diretora da consultoria de recursos humanos TI Works RH, no mercado, o importante é que o profissional consiga cumprir com suas funções.

“No tecnólogo, cadeiras menos importantes, como filosofia e outras, saem. No final das contas, o perfil do profissional, de correr atrás de mais informações e descobrir novas coisas, é que vai fazer a diferença no mercado de trabalho”, comenta Giovana.

Para a diretora, a diferença entre tecnólogo e bacharel são “matérias acessórias”.

“Algumas empresas têm um certo preconceito (contra o tecnólogo), mas isso já está muito reduzido”, completou Giovana.

Sobre os cargos da Procempa, muitos deles para analista, a consultora diz que o comum é a exigência de nível superior nesses casos, independente de ser bacharel ou tecnólogo.