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O Brasil desponta como liderança global no cenário pós-crise econômica, segundo um estudo da PriceWaterhouseCoopers.

A pesquisa mostra que o país teve maior nível de aproveitamento das oportunidades criadas no ambiente de instabilidade e mudanças internacionais gerado pela recessão econômica, o que motivou líderes empresariais a apostarem na economia local este ano.

Para se ter uma ideia, em uma questão sobre o nível de preocupação em relação a ameaças econômicas e políticas geradas pela crise às perspectivas de crescimento dos negócios, a média global de respostas “extremamente preocupado” ou “preocupado” ficou em 71% dos entrevistados.

Entre os brasileiros, a média foi de 42%.

Além disso, o levantamento indica que os CEOs brasileiros mostram-se os mais confiantes entre todos os
Entrevistados, pelo segundo ano seguido: 58% deles acreditam em crescimento da receita nos próximos 12 meses, enquanto a média global desta resposta fica em 48%.

Para o período de três anos à frente, no entanto, os líderes de outras regiões se revelam mais otimistas, demonstrando que esperam resultados mais concretos das medidas antirecessão adotadas durante o auge da crise.

Com exceção da Europa Ocidental, as demais regiões, quando avaliadas separadamente, apresentam melhores índices de confiança para o período de 36 meses que o Brasil.

“A expectativa dos executivos de outros países em relação ao crescimento da economia para daqui a três anos é maior do que a brasileira. Provavelmente porque nos países mais afetados pela crise este ano ainda é de recuperação”, afirma o estudo.

Ainda conforme a pesquisa, um dos reflexos do otimismo “imediato” no Brasil é o fato de que só uma pequena parcela dos executivos pretende reduzir investimentos em 2011.


Já no que se refere ao grau de expectativa dos entrevistados em relação a seus próprios países, os brasileiros também se mostram mais otimistas que seus pares no restante do mundo.

Para 86%, o Brasil tem alto potencial de crescimento em comparação com outros mercados.

O percentual é mais que o dobro da média global (37%) e supera também os índices registrados por Estados Unidos (41%), Ásia (46%) e Europa Ocidental (19%).

Desafios futuros
Entretanto, os brasileiros também têm preocupações, especialmente em relação aos três anos futuros.

As principais “dores de cabeça” dos entrevistados no que diz respeito ao crescimento econômico do Brasil são o excesso de regulação, citada por 68% dos entrevistados; e a interferência do estado na economia, ainda que 82% dos brasileiros apoiem certas políticas do governo que promovem, ao mesmo tempo, o crescimento ambiental, social e economicamente sustentável.

“Ganha força, portanto, a concepção de que o relacionamento entre governo e iniciativa privada deve caminhar para o compartilhamento de uma agenda comum, que inclua questões como formação de mão de obra qualificada e proteção ao meio ambiente”, afirma o sócio-presidente da PwC-Brasil, Fernando Alves.

Uma terceira preocupação em relação ao crescimento da economia brasileira é a escassez de mão de obra qualificada.

Entre os executivos entrevistados, 76% acreditam que a oferta de profissionais qualificados é limitada.

O fenômeno – o famoso “apagão de mão obra” - é resultado do crescimento acelerado de um setor e da pequena capacidade de formação de profissionais para trabalharem nessa área, afirma o estudo, sendo mais evidente em áreas em franco aquecimento, como a TI e a construção civil.

A superar
Entre os problemas a serem superados para fazer do país um real líder de oportunidades no pós crise, o estudo da PwC indica, por exemplo, a dívida pública federal.

“Se somarmos os endividamentos interno e externo, a dívida teve um crescimento de 13% em 2010 e alcançou o valor de R$ 1,69 trilhão, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional. A cifra assusta os executivos brasileiros”, afirma a pesquisa.

Dos executivos entrevistados no país, metade acredita que a economia do país deve sofrer uma desaceleração devido às medidas que o governo deverá tomar para cessar o aumento da dívida, como o aumento dos impostos e o corte nos gastos públicos.

“Inclusive, quase 60% dos empresários brasileiros consideram que o aumento da carga tributária é o maior risco a mitigar nos próximos 12 meses”, complementa o estudo.

Ainda conforme o levantamento, de uma forma geral, para atingir suas metas, os líderes pretendem investir em inovação e superar a escassez de mão de obra qualificada, envolvendo, neste processo, parcerias com governos em áreas consideradas críticas, como investimentos em infraestrutura.

A íntegra da 7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros, que integra a 14ª Pesquisa Global de CEOs, pode ser conferida no PDF anexado a esta matéria, ou no site da PwC, linkado abaixo.