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Os cortes de R$ 1,7 bilhão no orçamento do Ministério de Ciência e Tecnologia podem afetar diretamente o Prime, programa de financiamento a fundo perdido de pequenas empresas inovadoras que mobilizou o mercado na sua primeira edição, em 2010.

Do total, R$ 610 milhões foram contingenciados do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), que banca os chamados “empréstimos não reembolsáveis”.

Ouvido pelo portal brasiliense Convergência Digital, o presidente da Finep, Glauco Arbix, afirmou que o valor bloqueado representa  uma redução de 20% no dinheiro disponível para esse tipo de financiamento.

“Vamos ter que alongar prazos desses investimentos. Empresas que receberiam em março, vão receber mais tarde", exemplificou Arbix.

Se as empresas que têm repasses agendados sofrerão atrasos, parece óbvio que uma nova edição do Prime será postergada. O Baguete Diário procurou a Finep nesta quinta-feira, 04, mas não teve retorno em uma questão específica sobre o Prime.

No final de 2010, a Finep divulgou que enviaria antes do final do ano as cartas convite para as incubadoras de tecnologia em todo país. Elas são as operadoras indiretas do programa.

O Prime foi o primeiro programa de financiamento a fundo perdido da Finep a operar indiretamente. Na primeira edição, foram 18 as chamadas “âncoras”.

Em entrevista ao portal em agosto de 2010, o coordenador nacional do Prime na Finep, Marcelo Camargo, previu uma nova edição do edital para entre abril e maio de 2011.

Dificuldades
Um total de 4.581 empresas se candidataram aos recursos do Prime, mas só 1.380 conseguiram cumprir os requisitos, habitando-se a obter um volume total de recursos a fundo perdido da ordem de R$ 165,6 milhões. O volume ficou 27% abaixo da meta estabelecida.

Podem participar empresas com faturamento anual de até R$ 10,4 milhões.

O Rio Grande do Sul ficou dentro da média nacional de aprovação no Prime, se somadas as médias de PUC-RS e Ufrgs, as âncoras locais do programa.

Na Ufrgs, 209 empresas apresentaram projetos na fase inicial, das quais 98 foram aprovados, de um total de 120 vagas disponíveis. Destes, todos receberam as duas injeções de capital a fundo perdido de R$ 60 mil.

Na PUC-RS, candidataram-se aos recursos 287 empresas para 100 vagas, com aprovação de 58, dos quais 54 receberam a totalidade dos R$ 120 mil, quatro ainda estão sob análise para receber a segunda parcela e um foi reprovado.