Abimaq: queda do dólar e Selic não é suficiente

06/10/2011 11:28

Na avaliação da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a alta do dólar e a última redução da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central em 0,5 ponto porcentual não mudam em nada o cenário de perda de mercado do setor.

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Na avaliação da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a alta do dólar e a última redução da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central em 0,5 ponto porcentual não mudam em nada o cenário de perda de mercado do setor.

Conforme o chefe de gabinete da presidência da Abimaq, Lourival Franklin Júnior, o dólar perto de R$ 2,10 daria condições mais competitivas à indústria nacional de máquinas e equipamentos.

Franklin Júnior afirma que, tanto ele, quanto os demais membros da Abimaq, estão “céticos quanto à redução da Selic para um dígito em 2012”.

De acordo com o gestor, mesmo com a Selic abaixo de 10%, o Brasil seguirá tendo uma das mais altas taxas de juros do mundo.

No entanto, o chefe de gabinete afirma esperar que o Comitê de Política Monetária (Copom) seja “mais ousado” na reunião deste mês, cortando a Selic em um ponto porcentual, o que resultaria em 11% ao ano.

Conforme Franklin Júnior, a queda na taxa básica acarreta a diminuição do capital especulativo que entra no país e, junto com ajustes fiscais promovidos pelo governo, gera tendência de uma “alta natural do dólar”.

Ainda de acordo com o gestor, outras ações do governo federal, como a desoneração da folha de pagamentos e medidas protecionistas, auxiliariam mais a fortalecer a indústria nacional, informa a Revista Amanhã.

“O mercado interno brasileiro talvez seja o último peru gordo do mundo", afirmou, referindo-se à invasão de produtos importados no Brasil.

Nesse sentido, ele afirmou apoiar as iniciativas do governo Dilma Rousseff em taxar veículos que não contenham um mínimo de 65% de conteúdo nacional e reclamou das queixas feitas por autoridades da União Europeia (UE) à presidente em relação às medidas protecionistas.

Franklin Júnior questiona: “o mundo todo faz isso, por que o “Brasil é que quem tem de ser o bonzinho da história?".

Conforme o chefe de gabinete, a Abimaq não só apoia a presidente, como também negocia com o governo proteção para 60 produtos nacionais contra a concorrência externa.

“Identificamos, ao todo, 814 produtos nacionais do setor que enfrentam perda de competitividade”, destacou o gestor.

Franklin Júnior não divulga exatamente que ações estão sendo negociadas com o governo, mas adianta que em até dez dias novidades serão anunciadas.

Dados já divulgados pela Abimaq demonstram que a indústria nacional de máquinas e equipamentos aumentou seu faturamento em 9,1% em agosto de 2011, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Já o IBGE informou na quarta-feira, 05, que a produção de bens de capital cresceu 8,6% na mesma base de comparação.

Os números, porém, não animam a Abimaq: conforme Franklin Júnior, o Brasil vive um processo de desindustrialização.

Para o gestor, 2010 é uma base fraca de comparação, e por isso os números atuais demonstram crescimento.

“Nestes números estão presentes uma grande quantidade de componentes e máquinas prontas importadas. Se tivesse realmente ocorrendo formação bruta de capital fixo a gente teria que estar crescendo acima de 10%", conclui o gestor.
 

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