Maurer deu dicas de como orquestrar o outsourcing em TI numa empresa

Outsourcing é economia ou investimento?

Para o analista da gartner Bill Maurer, a segunda opção é a melhor forma de encarar, e a batuta certa para orquestrar, a terceirização de serviços de TI dentro de uma empresa, especialmente na hora quem que o CIO vai vender a ideia para os outros “Cs” da decisão – o CEO e o CFO.

Na opinião do analista, o objetivo do CIO deve ser “ganhar o coração” dos outros executivos.

“Economizar não é motivo para outsourcing”, enfatizou Maurer em sua apresentação no VIII Conferência Anual Outsourcing do Gartner nessa terça-feira, 07.

Os argumentos certos, diz o analista, envolvem principalmente a confiabilidade do fornecedor e a certeza de que se terá o que se precisa, independente do preço.

“É uma questão de equilíbrio”, completa Maurer. “Às vezes o CEO e o CFO querem o mais barato, daí se corre o risco de ter um mau serviço; ou pode ser que apostem no mais caro, na esperança de garantir qualidade, e a TI acaba desperdiçando recurso”.

As dicas do doutor TI
Apesar da economia não ser o centro da questão, as finanças não devem ser deconsideradas.

Segundo Maurer, autodeclarado médico das finanças quando se trata de investimentos em TI, 80% das empresas que participaram de uma pesquisa da Gartner em outsourcing basearam suas decisões em informações financeiras erradas.

Desses 80%, 20% saíram no prejuízo.

O básico, recomenda Maurer, é definir o patamar de investimento: “Não fazer isso pode resultar em custo adicional para 75% das empresas sem planejamento”.

Para chegar no teto ideal, os componentes chave, segundo Maurer, são uma análise clara do custo de performance da infraestrutura, impacto no desenvolvimento de soluções futuras e do escopo de trabalho.

Além disso, é preciso tratar todos os aspectos do serviço de forma integrada, do usuário final ao mainframe, e colocar lado a lado os custos em cada opção de mercado (in-house, SSC e outsoirce (confira a tabela apresentada por Maurer nas imagens abaixo).

“Com essas informações em mãos, você pode levar um CEO a comprar a ideia. E ir para o tudo ou nada mesmo”, insiste.

Reforçando seu argumento, Maurer conta a história de quando estava na GE Capital, quando Jack Walsh era o presidente executivo.

Segundo Maurer, Walsh reuniu todos os funcionários e anunciou que investiria US$ 3 bilhões para fazer a empresa uma companhia Six Sigma - conjunto de práticas para o aprimoramento de processos em uma organização. Quem não quisesse participar da “onda sigma”, podia sair pela mesma porta em que entrou na empresa.

“Eu fui um dos que ficou, e depois de um tempo me tornei um faixa preta do six sigma”, conta Maurer. “Não sei o que levou Wlash a fazer aquilo, mas sei que é esse o efeito que um bom plano de negócios de sourcing sob medida para a sua empresa pode fazer com o seu CEO”.

* Guilherme Neves cobre a VIII Conferência Anual Outsourcing do Gartner a convite do Grupo Meta, patrocinador do evento.