Marcos Mazoni, presidente do Serpro

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A visão da Assespro Nacional sobre o papel de estatais de processamento de dados é “atrasada”, já que se apega um modelo de venda de licenças de softwares de “prateleira” e não à prestação de serviços.

A opinião é de Marcos Mazoni, presidente do Serpro, que comentou à reportagem do Baguete Diário a nota divulgada Assespro na quarta-feira, 07, criticando o que a entidade considera o “sufocamento” do mercado de TI causado pelos recentes concursos públicos de Serpro e Dataprev. A matéria do Baguete e a polêmica nos comentários está linkada abaixo.

De acordo com Mazoni, o Serpro não está aumentando seu quadro funcional – limitado por lei a 11,5 mil pessoas, das quais 3,5 mil estão nos balcões de atendimento da Receita Federal, o maior cliente – mas apenas migrando funções internamente.

“Cerca de 400 quadros mais antigos como digitadores se aposentaram e os novos contratados são na área de desenvolvimento, a finalidade do Serpro”, garante Mazoni, lembrando que a companhia chegou a ter 25 mil empregados no passado.

Para o gaúcho, a mudança de perfil se deve ao aumento de volume de demanda nas áreas tradicionais de atuação da estatal como sistemas de orçamento para órgãos de governo e não a uma entrada em ramos que estariam melhor servidas pela iniciativa privada, como acusa a Assespro.

“Estamos entregando sistemas em órgãos que ainda faziam orçamento no papel. Mas o aumento da informatização e da demanda por TI é geral no mercado e não uma invenção do Serpro”, analisa o ex-presidente da gaúcha Procempa e da paranaense Celepar.

Segundo Mazoni, o Serpro terceiriza sim atividades que considera fora da limitação constitucional de desenvolver apenas aplicativos estratégicos ou cuja segredo é uma questão de segurança nacional.

Um exemplo seriam os aplicativos de folha de pagamento, cujo desenvolvimento representaria “bilhões” na soma dos órgãos de governo nos quais o Serpro determina políticas de TI.

Para Mazoni, as queixas da Assespro Nacional são oriundas da reticência de empresas associadas de se enquadrarem no modelo de compra de serviços de TI estabelecido pelo Serpro, baseado no framework open source Demoiselle, divulgado no final do ano passado.

“Em qualquer país desenvolvido, o governo compra TI a partir de padrões pré-determinados que levam em conta a interoperabilidade dos sistemas”, alfineta Mazoni, frisando que o Serpro programou uma série de eventos pelo Brasil em parceria com a Sucesu para apresentar o Demoiselle à iniciativa privada.

O presidente do Serpro lembra ainda que a companhia também sofre com a rotatividade da mão de obra e a disputa pelos escassos profissionais no mercado. “Nosso turnover dos recém aprovados depois da capacitação inicial é de 10%”, revela.

Mazoni enfatiza que muitos são recém formados que após o treinamento buscam salários melhores na iniciativa privada ou outros concursos – motivo pelo qual o Serpro abriu centros de desenvolvimento em Florianópolis e Manaus, onde o mercado é menos concorrido do que em Brasília. “A rotatividade faz parte. Nós não nos queixamos”, resume.