Caciporé Valente, gestor na Meta IT

Com os planos de crescer 40% em 2011, o gaúcho Grupo Meta aposta nas iniciativas de consultoria para manter sua diferenciação no mercado.

Hoje, a área responde por 10% dos negócios da empresa - ainda longe do carro-chefe, o outsourcing (55%) - mas segue sendo um destaque importante, incrementado desde 2006 com um olho nas mudanças da própria TI, que há dois anos ouve de analistas e consultores o clichê “mais negócio, menos infra”.

“Nossa ideia é agregar valor ao serviço que os nossos clientes vão prestar às suas organizações”, diz Caciporé Valente, gestor na Meta IT.

Na prática, a Meta procura ajudar na composição de um setor de TI focado em soluções voltadas para as organizações de que fazem parte, com foco no aumento de lucratividade e produtividade.

“É tirar da TI a mangueira de apagar incêndio e deixar os profissionais livres para propor soluções”, completa Valente.

O trabalho já dá resultados em alguns clientes.

O executivo cita a Kraft Foods, onde hoje a Meta cuida da parte de indicadores da área, enquanto a TI interna se encarrega de propor projetos que colaborem com a empresa, como soluções que reduzam o tempo gasto na execução de tarefas, por exemplo.

“Vender essa ideia, no entanto, nem sempre é fácil”, reconhece. “Por isso investimos em indicadores e métricas para a TI, o que ajuda os outros gestores a ver melhor os resultados”, completa.

Na Kraft, conta o gestor, já existe até um comitê de gestão para TI, onde diretores de outras áreas, como vendas, sentam juntos para decidir onde a tecnologia pode colaborar.

TI para negócios
O fim do “CIO maquineiro” foi predito, mais uma vez, na conferência de outsourcing do Grupo Gartner, que se encerra nessa quarta-feira, 08, em São Paulo.

A mensagem não é bem-vinda por todos os executivos de TI, reconhece Cassio Dreyfuss, vice-presidente de pesquisa para América Latina do Gartner, para quem certos profissionais podem temer um empurrão para fora de sua zona de conforto Ainda assim, é uma realidade.

“Não dá para negar essa mudança”, destacou, pela terceira vez, pelo menos, na tarde dessa quarta, em apresentação no evento.

Para Valente, os puxões de orelha de uma mão de peso como o Gartner ajudam a amaciar os clientes: “Facilita na hora de passar o nosso recado durante as consultorias”.

Segundo o gestor, apesar de não haver a previsão de um salto na área de consultoria da empresa - uma das cinco com as quais a Meta trabalha, que incluem outsourcing, SAP, internet corporativa e fiscal - é um nicho que cresce sempre a uma taxa superior às outras.