Cade pode barrar fusão Sadia/Perdigão

10/05/2011 11:41

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ameaça barrar a fusão entre Sadia e Perdigão que cria a Brasil Foods (BRF).

Há dois anos em análise, a negociação será julgada pelo órgão em junho, a menos que haja acordo entre as empresas e a entidade, evitando a votação pelos conselheiros em plenário.

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O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ameaça barrar a fusão entre Sadia e Perdigão que cria a Brasil Foods (BRF).

Há dois anos em análise, a negociação será julgada pelo órgão em junho, a menos que haja acordo entre as empresas e a entidade, evitando a votação pelos conselheiros em plenário.

Um entendimento que, ao que tudo indica, não está perto de acontecer: o Cade emitiu na segunda-feira, 09, um parecer com 38 páginas que pede “restrições mais fortes” para a execução do negócio ou até mesmo a reprovação do mesmo.

A venda de uma das marcas também é definida como opção para solução do caso, que o Cade vê como preocupante devido ao fato de que, juntas, Sadia e Perdigão somam concentrações de mercado maiores do que 70% em diversos produtos, o que pode prejudicar o consumidor final, acredita o órgão.

As empresas argumentam, porém, que a intenção da fusão é criar “uma grande exportadora nacional de carnes”.

O Cade, porém, não se convence: o parecer da entidade é mais restritivo que o emitido anteriormente pela Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda.

A Seae recomendou a aprovação da operação desde que seguidas uma de duas alternativas: a venda de um conjunto de marcas com preços mais baixos ou o licenciamento por cinco anos das marcas Sadia ou Perdigão.

Para o Cade, as restrições propostas pela secretaria não possibilitam a um terceiro agente econômico fazer frente ao poder de mercado da Brasil Foods.

O conselheiro relator do caso, Carlos Ragazzo, destaca que o parecer não representa a posição definitiva do Cade, mas dá um indicativo importante, já que costuma ser seguido pelos conselheiros – que votarão no julgamento do negócio, em junho.

Crise na Sadia: o início de tudo
A fusão que cria a BRF foi decidida pelas empresas em junho de 2009, para resgatar a Sadia, que na época amargava prejuízos bilionários com derivativos cambiais na crise global.

A Perdigão injetou dinheiro na companhia e propôs a fusão, que agora a procuradoria-geral do Cade vê como uma “decisão não bem sucedida”, já que não demonstra “que os benefícios decorrentes podem ser compartilhados com o consumidor”, informa o Estadão.

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"As estruturas administrativas, produtivas e comerciais da Sadia serão mantidas íntegras e independentes", destaca uma nota oficial emitida pelo Cadê.
Perdigão e Sadia: fusão sai hoje
Os principais acionistas de Sadia e Perdigão resolveram neste domingo, 17, as últimas pendências técnicas para a união das duas companhias.

Segundo uma fonte ligada às negociações ouvida pelo Estado de São Paulo, "há 99% de chances" de a fusão ser anunciada nesta segunda, 18.

A Sadia teria ficado com 32% do novo negócio e a Perdigão, com os 68% restantes. A nova empresa será chamada de Brasil Foods.
Sadia e Perdigão podem unificar operações
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Em 2006, a Sadia tentou adquirir a Perdigão, mas o negócio acabou não se concretizando. Desta vez, o processo não é de compra ou fusão, mas de acordo operacional, segundo fonte ligada a uma das empresas.
Sadia deve R$ 1 bi no curto prazo
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CIO deixará a Sadia
Ney Santos deixará o posto de CIO da Sadia até o final de janeiro, informa o site IT Web.

Santos estava no cargo desde abril de 2007, quando entrou na empresa no lugar de Marcos Caldas. O profissional não revelou detalhes sobre seu futuro profissional.
Sadia processará bancos por perda cambial
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"Temos indícios de que alguns grandes bancos internacionais induziram a empresa a realizar essas operações e vamos ver se há brechas para que possamos entrar com ações judiciais contra eles", disse Furlan em entrevista à Gazeta Mercantil.