Rubem Sousa

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Março foi o mês com maior número de vagas abertas para contratação de executivos no Brasil dos últimos 15 anos, com crescimento de seis vezes sobre o mesmo período de 2009.

A TI participou deste boom, demonstrando, ainda, uma movimentação atípica nos dois meses seguintes: o aumento do uso de head hunting, em detrimento das tradicionais contratações por indicação. Se antes este último modelo respondia por 80% das admissões, hoje fica com 60%.

As informações são de um levantamento da RSA Talentos Executivos, consultoria porto-alegrense de executive search.

“Este boom se deu muito em função do pós-crise: as empresas mantiveram, ao longo de 2008 e 2009, equipes reduzidas, até porque o volume de negócios caiu no período de recessão. Quando os investimentos desrepresaram, foi necessário buscar mais gente”, explica Rubem Souza, diretor da RSA. “Os novos contratados chegam para dar sequência a projetos inacabados, desengavetando planos interrompidos pela crise”, complementa.

Na TI, segundo ele, o crescimento do head hunting e a queda do uso de indicação se deve à escassez de nomes a indicar. Não pela falta de profissionais qualificados, mas pela alta absorção destes pelas empresas, especialmente no atual período.

“Acionar headhunters para buscar executivos para a TI ocorre apenas ocasionalmente, mas nos últimos meses fomos acionados para selecionar tais profissionais, na maioria, de perfil generalista, para atuar em gestão de área, de projetos ou no desenvolvimento de sistemas”, explica Souza.

E esta onda de caça aos executivos deve se estender pelo menos até o final do primeiro semestre. Por segmentos, as vagas têm se mostrado com mais freqüência no setor de indústria (79%), serviços (12,5%) e varejo (8%).

“O aumento de solicitações da indústria, por exemplo, em março deste ano ocorreu porque o segmento foi um dos mais atingidos pela crise e agora está recompondo seus quadros”, destaca Souza. “Além disso, no Rio Grande do Sul, este setor é responsável por mais de 60% das colocações executivas normalmente”, acrescenta.

A crise que desocupou cadeiras
Para se ter uma ideia de quanto as contratações, na área executiva e em outras, durante a crise mundial, um levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego referente ao último trimestre de 2008 indicava que as empresas de informática – divididas em serviços, telecomunicações e fabricantes – demitiram mais do que contrataram naquele período.

Na época, o segmento que mais cortou empregos foi o de serviços, encerrando o trimestre com salgo negativo de 8.485 vagas. Já na fabricação de equipamentos de informática foram 4.560 vagas a menos do que no mesmo período de 2007, enquanto as telecomunicações tiveram média de 900 vagas/mês no primeiro semestre de 2008, caindo para 154/mês em dezembro do mesmo ano.