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Em tempos de “made in China”, a salvação das panelas passa pela tecnologia, na opinião de Clóvis Tramontina, presidente do conselho administrativo da fabricante de utensílios para casa e jardim que leva o seu nome.

Na ponta de uma empresa cujo faturamento em 2011 chegou a R$ 2,8 bilhões – 17% acima do registrado no ano anterior e projetando uma alta de 13% em 2012 –, Tramontina aposta na pesquisa para fazer frente à impiedosa ameaça chinesa.

“São os nossos maiores concorrentes. Temos que ganhar na qualidade e no design. Temos que investir em automação para reduzir custo”, enfatiza o executivo.

Automação, pesquisa e tecnologia levam até 30% do faturamento anual da empresa, um trunfo contra a mão de obra barata e a rapidez com que os chineses replicam produtos da marca.

“Eu nem reclamo. Pior seria se nós estivéssemos copiando deles”, brinca Tramontina.

Nem tudo, porém, a China consegue copiar. Habituada a atender um mercado emergente (classes C e D no Brasil), a Tramontina embarcou, pela primeira vez em 2011, produtos para os consumidores chineses. Foram artigos mais caros, pra atender o público chinês “mais exigente”, que exige produtos de qualidade.

“A gente vê por aí conjuntos de panelas (chineses) em que sete peças custam uma das nossas. Mas também bate um vento e elas saem voando”, provoca o executivo.

O embarque chinês, no entanto, não chega a animar Tramontina: “nada muito significativo”, minimiza.

Atualmente, o foco principal da empresa são as Américas (do Sul, Central e do Norte, onde a empresa tem uma fábrica, nos Estados Unidos), de onde vem 70% do faturamento com exportação.

Na sequência vêm Europa, África e Ásia.

Investir em pesquisa para manter a competitividade tem sido um pensamento constante entre os empresários gaúchos em tempos de crise, real valorizado e concorrência chinesa.

Nessa terça-feira, 13, Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do conselho superior do Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade (PGQP), defendeu a competitividade contra a desindustrialização.

“Com o real forte, qualquer problema de produtividade vem à tona. O ideal seria ter uma participação maior da indústria no PIB”, aconselha Gerdau.

Em 2010, diz o Funcex, a participação da indústria de manufatura em relação ao PIB ficou em 15,8%. Na opinião de Gerdau, o Brasil deveria perseguir os 25% de fatia da indústria no PIB nacional para fazer frente à desindustrialização.

Tramontina dá o seu toque à receita.

“Temos que olhar para o nosso negócio, e não se apavorar com tudo que vem de fora. Que efeito tem a crise na Europa no mercado do interior de Marau?”, pondera.

Seguindo o próprio conselho, a Tramontina investirá R$ 93 milhões em suas unidades em Carlos Barbosa e Farroupilha. Em alguns casos, a produção mais que dobrará com as ampliações das linhas de produção de carrinhos de mão e panelas.