Gregory Balestrero, presidente do Project Management Institute

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O Brasil precisa investir muito em gerenciamento de projetos para conseguir cumprir a inédita proposta de organizar consecutivamente a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

A opinião é de Gregory Balestrero, presidente do Project Management Institute internacional, que esteve em Porto Alegre nesta quinta-feira, 23, participando do VII Seminário de Gerenciamento de Projetos organizado pelo capítulo gaúcho da entidade.

“Simplesmente não há ninguém para ligar e perguntar como fazer. Vocês estarão nos holofotes para o mundo tendo que resolver isso”, afirma  Balestrero, há oito anos presidente do PMI e considerado o papa da disciplina.

Balestrero cita como maior desafio administrar dentro do orçamento um portfólio de obras prioritárias em eventos que não podem ser atrasados, além de atingir um equilíbrio entre o investimento estrangeiro e o nacional, em um momento em que a China se torna o parceiro comercial dominante no país.

“A má organização das Olimpíadas em 2002 foi um dos motivos que levou à quebra da economia grega”, analisa Balestrero, destacando que um dos principais novos portos da Grécia está em mãos chinesas, assim como uma parte importante da produção de petróleo nigeriana, no que seria outro caso de mau planejamento.

Balestrero, no entanto, é otimista sobre a capacidade de planejamento do país.

“É uma economia que se abriu antes do que as demais economias emergentes, atraindo multinacionais que investem forte em gerenciamento de projetos”, avalia o presidente do PMI, destacando as iniciativas de treinamento de grandes nacionais como Petrobrás e Bradesco.

Para o especialista, o desafio no médio prazo para o país será encontrar gerentes de projetos especialistas em áreas como TI e biocombustíveis, atualmente em alta.  

O presidente do PMI prefere não falar de metas de associação – hoje a entidade tem  500 mil filiados em 175 países, três vezes mais do que no começo da sua gestão – destacando que a missão da entidade é "fazer 100% dos CEOs estarem convecidos da importância do assunto".

“Quando eu comecei, muitos CEOs acreditavam que gestão de projetos é que todo mundo fazia. Hoje não é mais assim”, avalia Balestero, destacando que mesmo durante os piores anos da crise econômica, os número de associados cresceu em média 10%.