Mercado: inflação, PIB, juros e... pré-crise?

24/01/2011 11:16

O mercado financeiro elevou a previsão da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2011, conforme a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira, 24, pelo Banco Central.

A expectativa para a inflação neste ano subiu de 5,42% para 5,53%, o que se distancia ainda mais da meta pré-estipulada pelo BC, que era de 4,50% para o ano.

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O mercado financeiro elevou a previsão da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2011, conforme a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira, 24, pelo Banco Central.

A expectativa para a inflação neste ano subiu de 5,42% para 5,53%, o que se distancia ainda mais da meta pré-estipulada pelo BC, que era de 4,50% para o ano.

A projeção também subiu para 2012, quando os especialistas acreditam que a inflação deverá subir não mais 4,50%, mas 4,54%.

No caso da inflação de curto prazo, o mercado elevou de 0,66% para 0,72% a previsão para o IPCA de janeiro de 2011. Para fevereiro, a taxa passou de 0,72% para 0,77%.

A previsão para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011 foi mantida em 4,50%.

Em relação ao PIB, porém, os analistas preveem que, para cumprir a promessa de fazer um superávit primário de 3,1% do índice, a presidente Dilma Roussef terá de economizar cerca de R$ 60 bilhões, valor superior às apostas do mercado financeiro, que não passam de R$ 50 bilhões.

As metas de contingenciamento do novo governo ainda não foram divulgadas, mas o sugerido por especialistas ouvidos pelo Estadão é que a presidente reforce uma política fiscal menos expansionista, o que ajudaria a esfriar a economia e permitiria que o BC subisse menos os juros básicos (Selic).

Com relação a juros e dólar, a pesquisa Focus mantém a previsão para a Selic até o fim de 2011 em 12,25%/ano. Hoje, o índice é de 11,25%/ ano.

Já para o mercado de câmbio, os analistas preveem que o dólar encerre 2011 em R$ 1,75, mesmo patamar da pesquisa anterior, e, em para o fim de 2012, a previsão é de R$ 1,80.

Repeteco do pré-crise?
Os analistas ouvidos pelo Estadão também indicaram que, neste início de 2011, há um “quê” de 2008 no ar, ou seja, um cenário semelhante ao momento que precedeu a explosão da crise econômica mundial de 2009.

Conforme os especialistas, hoje a economia mundial se mostra atingindo um grau de aquecimento máximo, com as commodities e os alimentos em alta e diversos países emergentes - até mesmo um ou outro rico – em briga com a inflação.

Tudo exatamente como há três anos, segundo os analistas.

A análise se baseia, por exemplo, no índice CRB, que mede o preço das commodities no mercado global e atingiu 518,7 pontos em dezembro, superando o pico de 476,7 de junho de 2008.

Também como em 2007 e 2008, distúrbios populares contra a alta dos alimentos pipocam em países como Tunísia, Argélia, Jordânia, Egito, Líbia, Moçambique, Marrocos e Chile e, em pelo menos uma dúzia deles, os governos já tomam medidas para baratear a comida.

Os bancos centrais também são tema da análise, que afirma que estas instituições estão agindo com altas de taxas básicas de juros, típico dos períodos pós-cris, o que já foi acionado no Brasil, Chile, Peru, Suécia, Austrália e China, entre outros.

Além disso, os especialistas indicam uma onda de utilização dos chamados instrumentos "macroprudenciais" para auxiliar no controle da inflação, como no Brasil, que aumentou compulsórios e requerimento de capital em operações de crédito, o que contribuiria para o desenho de um repetitivo cenário de pré-crise.

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Nesta segunda, 23, o relatório Focus aponta que o término do período de aperto monetário refletiu na redução das previsões para inflação e Selic deste ano.

O prognóstico para a Selic no final do ano caiu para 10,75%, ante projeção de 11%. Além disso, a estimativa para a alta do IPCA recuou 5,10%

A meta de inflação dos dois anos é de 4,50% e tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

Focus: PIB deve avançar 4,5% em 2011

O primeiro Boletim Focus do ano, divulgado nesta segunda-feira, 03, pelo Banco Central, prevê uma expansão de 4,50% na economia brasileira.

Segundo o jornal Valor Econômico, as projeções coincidem com aquelas contempladas no relatório anterior.

Itajaí sobe, Floripa cai no PIB catarinense

Em dez anos, o Vale do Itajaí aumentou sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) catarinense, que hoje soma R$ 123,28 bilhões, de 24,5% para 27%.

Entre 1999 e 2008, a soma das riquezas da região subiu de R$ 9 bilhões para R$ 33,2 bilhões – salto de 265%, informa o Noticenter.

SBPC: 2% do PIB em P&D até 2020

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) quer quase dobrar o gasto em pesquisa e desenvolvimento da economia brasileira, atualmente em 1,09% do PIB nacional, para 2% em 2020.

A meta supõe um crescimento anual do investimento na ordem de 10,4%, supondo que o crescimento do PIB fique estável em 5% anuais. Na projeção da entidade, o gasto privado em P&D deve ser majoritário, ficando entre 1,1 e 1,2 ponto percentual.

Copom eleva juros em 0,5 pp

O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou na quarta-feira, 19, uma alta de 0,50 ponto porcentual da taxa básica de juros da economia do país.

Segundo a agência de notícias Reuters, a elevação da Selic, de 10,75% para 11,25% ao ano, terá impacto sobre as taxas cobradas de consumidores e de empresas.

Empresas: média de juros sobe para 3,65%

As taxas de juros nas operações de crédito para empresas e consumidores voltaram a subir em abril. A taxa média mensal que era de 3,59%, ficou em 3,65% no mês passado.

De março para abril a taxa do capital de giro subiu de 3,08% para 3,14%; o desconto de duplicatas de 3,10% para 3,17%; desconto de cheques aumentou de 3,19% para 3,26%; e a conta garatida teve alta de 5,00% para 5,04%.

Dilma mira Argentina, China e EUA

A presidente Dilma Roussef confirmou o destino de sua primeira viagem internacional, que ocorre na segunda-feira, 31, ou terça, 1º de fevereiro. A governante visitará a Argentina, mas também projeta, para março e abril, idas aos EUA e China.

Dilma: TIC no foco do governo

A presidente Dilma Roussef enfatizou em seu primeiro discurso no cargo, durante a cerimônia de posse, no domingo, 02, que a TI e as comunicações terão prioridades nos investimentos de seu governo.

Segundo Dilma, as TICs serão focadas especialmente no que se refere à arrecadação, com incentivo a tecnologias que possam otimizar o processo de atendimento ao contribuinte; e também no que tange a aportes destinados à ampliação do parque industrial e força exportadora.

Forrester: crise acabou para a TI
A recessão em TI vista entre 2008 e 2009 está “não oficialmente encerrada”. É o que afirma Andrew Bartels, principal analista da Forrester.

Um estudo da consultoria indica que, depois de uma queda de 8,2% em 2009, os gastos com tecnologia vão crescer 6,6% nos EUA em 2010, movimentando US$ 568 bilhões.

Já na previsão global, a empresa de pesquisa projeta expansão de 8,1%, com gastos em torno de US$ 1,6 trilhão.