Fernando Zancan, presidente da Associação Brasileira de Carvão Mineral (ABCM).

A onda da chamada energia verde e livre de carbono já causa efeitos até em uma fonte energética que, no final das contas, é puro carbono: o carvão.

Começaram nesta sexta-feira, 18, em Criciúma as obras o Centro Tecnológico do Carvão Limpo (CTCL), primeiro passo do que será um parque tecnológico voltado ao tema na cidade mais identificada com a mineração do carvão no país.

Na primeira fase, os investimentos chegam a R$ 7,4 milhões, vindos da FINEP, Fapesc e Eletrobrás. O investimento total previsto chega a R$ 25 milhões, incluindo aí uma incubadora tecnológica, laboratórios e plantas de teste.

“Por duas décadas a indústria do carvão no país esteve no limbo em termos de pesquisa e desenvolvimento. Perdemos muitos pesquisadores e conhecimento”, lamenta o presidente da Associação Brasileira de Carvão Mineral (ABCM), Fernando Zancan.

Hoje, 28 pesquisadores já trabalham em pesquisas na área na cidade dentro de uma instituição de ensino mantida pela Sact, uma associação de  empresas do setor. Com o novo prédio, o número passará para 64 e no longo prazo pode chegar a 500.

Segundo explica Zancan, o objetivo do CTCL é ser um destino para os investimentos em P&D obrigatórios no setor de energia, desenvolvendo pesquisas em áreas como gaseificação e melhoria da combustão do carvão.

Em Santa Catarina, parte da estratégia também foi destinar à pesquisa a parte do governo estadual nos royaltes de 2% sobre o faturamento dos mineradores, algo em torno de R$ 1,5 milhão por ano, antes perdida no caixa único da administração. A ABCM defende a mesma medida no Rio Grande do Sul, o que poderia resultar em R$ 1 milhão anual para o Cientec.
 
“Só na Inglaterra, a expectativa é que a pesquisa em torno do carvão gere 100 mil empregos e movimente entre 6 e 9 bilhões de libras até 2020”, comenta o gaúcho, que acredita que o carvão brasileiro poderia gerar uma cadeira de empresas de valor agregado em tecnologia como a existente hoje na área de óleo e gás.

A chave para a retomada – nos anos 80, a indústria carbonífera empregava 12 mil pessoas na região de Criciúma  contra 3,9 mil hoje – estaria na necessidade de diversificar a matriz energética do país, hoje dependente da geração hidroelétrica.

“Se deixa de chover no Sudoeste, temos problemas de abastecimento de energia. O país precisa de uma matriz energética diversificada e no Sul isso significa carvão”, acredita o gaúcho, destacando que as termoelétricas respondem hoje por apenas 1,6% da matriz energética brasileira.

* Maurício Renner esteve em Criciúma a convite da ABCM