André Doro. Foto: Mathias Cramer/temporealfoto.com

Os gestores de TI precisam alterar suas visões de trabalho: a atenção principal deve estar não mais na própria TI, nem sequer no negócio das empresas para as quais trabalham, mas sim no “foco do cliente”.

É a opinião de André Doro, CIO da sueca Electrolux para a região da América Latina, que ministrou o painel “Um novo pensar para o CIO” durante o Fórum de Tecnologia nos Negócios, evento integrante do Ciclo de Decisões da Amcham realizado na quarta-feira, 26, em Porto Alegre.

“A TI precisa, hoje, estar conectada não só ao business, mas às demandas e desejos apresentados pelo cliente. A inovação tem de partir das necessidades apresentadas, que são oportunidades de negócio”, destacou Doro.

Para que isto ocorra, o executivo de TI da Electrolux ressaltou a necessidade de convergência entre as cúpulas de negócio e de tecnologia das empresas, mas não só: a busca dos CIOs por conhecimentos além da área tecnológica também é fundamental.

“O CIO precisa procurar entender de engenharia, de produção, de logística, da área comercial, visitar as fábricas, os pontos de venda. Ele precisa entender o que o cliente busca, para então adequar isso ao business e promover o alinhamento com a TI”, enfatizou o gestor.

Com sede em Estocolmo, Suécia, a Electrolux possui quatro unidades no Brasil, sendo a matriz em Curitiba. Além disso, mantém uma fábrica no México e está construindo outras duas na AL, uma na Argentina, outra na Colômbia.

Baseado nas plantas em construção, Doro também aproveitou para falar do papel da TIC na expansão das empresas.

“É preciso pensar em tudo: como acompanhar o crescimento, que impacta diretamente na infraestrutura de TI, levando em conta desafios como a crescente necessidade de otimização de recursos como a energia, o constante aumento do custo das matérias primas, tudo isso tem de ser pensado pelo CIO”, salientou.

As redes sociais também entraram na análise de Doro. Para o executivo, a explosão do uso destes meios, assim como o aumento do poder aquisitivo da classe C, apresentam-se como uma oportunidade, mas também como um drama, para companhias de todos os setores.

“Por que um drama? Porque temos de pensar em como atender aos desejos, demandas, deste público. Temos de pensar em como nos comunicar com estes diversos públicos, por estes diversos meios, de forma eficiente e adequada. A TI tem de atentar para tudo isso”, avaliou Doro.

Da mesma opinião, o CIO do Banco Matone, Guilherme Lessa, que também participou do painel, foi ainda mais longe.

“Com as redes sociais e a mobilidade, cresce a preocupação dos gestores de TI e de negócios com o quesito relacionamento. Por exemplo: um colaborador que poste algo em uma rede social, em um blog, está falando pela empresa ou não? Como trabalhar a associação de sua imagem?”, questionou Lessa.

Segundo o gestor de TI do banco, o Matone tem dado atenção cada vez maior às redes, gerando um novo desafio para o departamento de tecnologia da instituição.

“Nosso presidente não é um homem da tecnologia, é um homem de negócios, e ele percebe a importância de estarmos inseridos nestes meios. O que ele nos pede, portanto, é a inserção. Mas ele não quer saber como faremos isso – que recursos utilizaremos, se iremos para a nuvem, nada. Isso, e a adequação dos custos e SLAs disso, é papel da TI”, destacou Lessa.