CIOs da GM, Natura e Claro discutiram relaçáo com fornecedores na Futurecom

Atraso na entrega de projetos, falhas básicas e orçamentos mal planejados são três motivos que podem levar empresas e fornecedores de serviços de TI a “discutir a relação” (a popular DR), e num clima nada amistoso.

O alerta parte de três nomes de peso do setor, os CIOs da Natura, Claro e General Motors.

Os executivos participaram de painel sobre governança de TI, na quinta-feira, 28, último dia da Futurecom. Para o trio, a escassez de mão de obra qualificada aperta mais na hora de encontrar profissionais que trabalhem com a ferramenta de gestão SAP e as tecnologias SOA, CRM e BI.

Segundo Ricardo Santoro, CIO da Claro – empresa que teve receita de R$ 5,3 bilhões no terceiro trimestre de 2010 –, o problema passa pela falta de qualificação profissional.

"Nós temos vários projetos atrasados por problemas com mão de obra. Sem falar nos que acabam sendo cancelados por erros básicos, o que ocorre muitas vezes. Isso inadmissível", reclama o executivo.

Pesquisa divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira, 29, mostra que 70% das empresas indicaram a falta de pessoal como um dos principais entraves à inovação, no período entre 2006 e 2008.

A rotatividade dentro das equipes de fornecedores, é outro agravante, aponta o CIO da Natura, Marcos Guillermo Pelaez. A alta competitividade no setor, diz o executivo, muitas vezes compromete a continuidade dos projetos.

 "Um dia tá lá o João trabalhando muito bem. Daí o João troca de emprego, e vem o José pro lugar dele. Só que o João trabalha muito melhor e é mais eficiente. Isso tem um impacto direto na minha empresa", ilustrou Pelaez.

Outro problema são os projetos mal orçados, com claras intenções, segundo o executivo, de “pegar o serviço”

“Se vê logo de cara que não vão ser cumpridos com o montante pedido pelo fornecedor. O negócio é tão crítico que a gente tem que sentar junto e rever o preço. Acabamos nos oferecendo para pagar mais”, acrescenta o executivo da Natura.

“O fornecedor quer ganhar dinheiro e as empresas, economizar, mas não dá para desequilibrar essa balança comprometendo a qualidade”, aconselhou Cláudio Martins, CIO da General Motors South America.

A saída apontada pelos executivos é manter uma relação de diálogo, respeito e cooperação. “Os clientes têm que encarar o fornecedor como parceiro”, disse Martins. Na GM, a equipe terceirizada é 25 vezes maior que os profissionais contratados.

“Os fornecedores não podem imaginar que conseguem enganar o cliente. Pode funcionar algum tempo, mas uma hora o cliente descobre e troca”, diz Pelaez.

Concluindo o debate, Santoro, da Claro, aconselhou a plateia, predominantemente de fornecedores: “Tratem bem o seu cliente e ele não vai trocar vocês. Quando a gente se trata bem, a relação dura mais”.