A gaúcha Lupatech teve dois contratos cancelados com a Petrobras, avaliados no valor de US$ 779 milhões.

Assinados em 2010, os acordos tinham prazo de cinco anos e envolviam a prestação de serviços especializados em águas profundas para intervenção e recuperação de poços, além de afretamentos de plataformas.

Segundo a Lupatech, a rescisão faz parte do processo de reestruturação da companhia, levando em conta a necessidade de investimento dos contratos.

Para executar os serviços, a empresa previa necessidade de investimentos da ordem de US$ 100 milhões.

"Os contratos foram rescindidos em comum acordo pela companhia e a Petrobras, sem qualquer ônus para as partes", informou a Lupatech, em fato relevante divulgado nessa segunda-feira, 02.

O início da prestação dos serviços em questão estava previsto para o segundo semestre deste ano.

A Lupatech encerrou o ano passado com prejuízo líquido de R$ 241,9 milhões, ampliando o resultado negativo de R$ 73 milhões apurado em 2010.

E o socorro?
Com uma dívida líquida de R$ 1,2 bilhão, a empresa será socorrida pelo BNDES e pelo fundo de pensão Petros no final do ano passado.

Juntas, as entidades, já acionistas da empresa, anunciarm a compra de R$ 300 milhões em ações, como parte da estratégia para aumento de capital da empresa, que pretende chegar até R$ 700 milhões com a comercialização dos papeis.

Para ser homologado, o aumento de capital depende de um extra de R$ 50 milhões para chegar ao mínimo, parcela que deve vir da GP Investimentos.

O acordo deve ser concluído em berve.

A GP entra no negócio porque a operação prevê a incorporação da San Antonio Brasil, subsidiária da San Antonio International, parte do GP desde 2008.

Com a aquisição da San Antonio Brasil, a Lupatech deverá consolidar-se como a maior companhia brasileira de serviços no setor de óleo e gás, com portfólio equivalente em amplitude ao das quatro maiores empresas internacionais do setor.

Segundo a Lupatech, a San Antonio Brasil apresentou, nos últimos anos, importante crescimento no País, tendo atualmente cerca de R$ 1,6 bilhão em contratos firmes (backlog).

A operação vai além do aumento de capital. BNDESPar, Petros e GP têm a intenção de promover uma reestruturação no Conselho de Administração da Lupatech, que deverá ser composto em sua maioria por membros independentes, e fortalecer a gestão.

Uma das preferidas dos investidores no setor de óleo e gás por diversos anos, a Lupatech parecia ter um futuro brilhante após o fechamento de contratos bilionários com a Petrobrás.

Mas, com o adiamento do cronograma para o pré-sal, o dinheiro que deveria entrar no caixa para compensar os investimentos já feitos acabou não vindo.