Tony Affuso, CEO da Siemens PLM Software, cutucou a concorrência – em especial a Dassault Systemes – durante a sua apresentação de abertura do Siemens PLM Connection, evento mundial da empresa inciado nesta segunda-feira, 02, em Las Vegas.

Após apresentar uma lista de novos contratos vencidos em 2010, incluindo disputas na Honeywell e Caterpillar com a PTC, Affuso voltou suas baterias contra a Dassault Systemes.

“Hoje temos entre nossos clientes de PLM 24 das 25 maiores montadoras”, frisou o CEO da Siemens PLM, destacando a conversão de Chrysler e Mercedes Benz, que trocaram sofware da Dassault por Siemens ao longo dos últimos anos.

A liderança na área automativa em gestão de ciclo do produto [a base CAD é dividida com o Catia da Dassault, já que o PLM funciona com qualquer tipo de arquivo] é natural para a Siemens PLM, que de 1991 até 2003, foi controlada pela General Motors por meio do braço de TI da montatora, a EDS.

Mas Affuso destacou também a entrada da Simens PLM em novos mercados, como a indústria de construção de navios e a área aeroespacial, tradicional feudo da Dassault, destacando que a companhia tem o momento "o maior pipeline de vendas da sua história".

A maior empresa dos franceses – cujo grupo inclui também carros elétricos, o tradicional jornal Le Figaro e até um clube de futebol, o FC Nantes - é a Dassault Aviation, fabricante dos caças Rafaelle com faturamento de € 4,1 bilhões em 2010.

“Estamos ganhando contratos na indústria aeronáutica russa”, destacou o executivo. Não por coincidência, umas das apresentações da manhã mostrou o uso de soluções Siemens na Jet, companhia contratada pela NASA para desenolver os veículos recentemente mandados para Marte.

Sem mencionar clientes dessa vez, Affuso também abriu fogo contra a SolidWorks, companhia americana comprada pela Dassault com atuação no mercado de médias empresas.

“Nossa solução SolidEdge está crescendo muito devido a confusão sobre o futuro da SolidWorks”, alfinetou o executivo, enquanto mostrava nos telões uma reprodução de uma matéria entituada “The dead of SolidWorks?”.

Na reportagem, o então CEO da SolidWorks, Jeff Ray, recentemente promovido para um cargo na diretoria da Dassault Systemes, revela a possibilidade da troca do kernel do software da CAD 3D da companhia do atual Parasolid da Siemens pelo Catia V6 da Dassault, em um novo software baseado em computação em nuvem.

Apesar de Ray garantir que uma eventual nova versão ainda está em fase de desenvolvimento, que uma versão baseada em Parasolid seguiria sendo desenvolvida por “10 anos” e que os clientes não seriam forçados a migrar para nuvem, Afusso criticou a estratégia.

“Porque mudar um produto? Como fica a questão da confidencialidade? Além de tudo, os caras lá de Paris não tem o melhor histórico quando o assunto são migrações”, avaliou Afusso, fazendo uma menção indireta às dificuldades enfrentadas pelos concorrentes na migração da versão 4 do Catia para a 5.

A disputa entre Siemens e Dassault é uma briga de gigantes. A Dassault Systemes encerrou 2010 com faturamento de € 1,56 bilhão e 9 mil empregados. A Siemens PLM tem 7,6 mil colaboradores.

A empresa não divulga seu faturamento, mas faz parte da área de Automation & Devices da Siemens, que vende também equipamento para automação de manufatura e faturou € 6,2 bilhões no ano passado.

Com negócios também nas áreas de energia, indústria e saúde, a Siemens como um todo faturou € 103 bilhões em 2010.

* Maurício Renner cobre a Siemens PLM Connection em Las Vegas a convite da Siemens