A SAP não é mais uma empresa de ERP, ou, pelo menos, sistemas de gestão não são mais o seu principal negócio.

No final de 2009, 60% do faturamento da empresa do país terá sido gerada por outros produtos do portfólio da multinacional alemã como business inteligence, CRM, EPM, governança, gestão de risco e soluções com foco em áreas específicas como billing ou RH, por exemplo. Os outros 40% virão dos ERPs, pelos quais a empresa é conhecida.

“O Brasil é o país no qual essa tendência é mais acentuada na América Latina, pela maturidade da operação local”, revelou o presidente subsidiária nacional da SAP, Luís César Verdi, que esteve em Porto Alegre participando do Tá na Mesa da Federasul. nesta quarta-feira, 02.

Para Verdi o aumento das vendas outros produtos é favorecida pela grande penetração da marca entre grandes companhias do país – uma estimativa da multinacional aponta que 60% do PIB nacional é gerado por seus clientes – o que não quer dizer necessariamente que ERP seja um filão esgotado ou em vias de esgotamento.

“Estão surgindo grandes clientes em outros ramos, como o de serviços, no qual o Sicredi é o nosso último case”, aponta o executivo gaúcho, que assumiu a presidência da SAP em maio, vindo da vice-presidência de vendas para grandes empresas na América Latina.

O presidente da SAP destaca que os negócios da empresa estão em alta desde o começo do ano e que com o final do represamento dos investimentos em TI em vista da perspectiva de término na crise, a expectativa é que o terceiro trimestre a companhia já tenha resultados acima dos obtidos no ano passado.

Mercado de pequenas
A SAP não desistiu do Business One, produto para pequenas e médias empresas lançado em 2005, mas que não alcançou os resultados anunciados.

De acordo com Verdi, uma nova versão lançada em maio corrigiu os problemas do módulo fiscal – principal queixa das consultorias que trabalhavam com o software, vendido 100% via canal – e a expectativa é  alavancar novos negócios com a ferramenta, principalmente entre integrantes das cadeias produtivas de grandes empresas usuárias dos ERPs All in One ou R/3.

“A competição hoje não é entre empresas, mas entre cadeias produtivas. Nesse contexto faz sentido usar softwares integrados em toda a linha”, acredita Verdi. Dois cases gaúchos são a Artecola e Marcopolo, que implementaram o B1 em operações adquiridas no exterior com consultoria da gaúcha ITS Group.

Concorrência nacional
Questionado sobre o crescimento da Totvs, que por meio de consolidações no mercado nacional hoje tem um faturamento na casa de R$ 1 bilhão e se apresenta como a oitava maior empresa de ERP do mundo, Verdi é diplomático, mas não deixa de alfinetar a concorrente nacional.

“A Totvs está fazendo um excelente trabalho e comunica muito bens seus resultados”, comenta o presidente da SAP Brasil. “Mas enfrentar concorrentes regionais fortes é comum para SAP em mercados como o americano ou europeu, onde enfrentamos grandes como Lawson ou Sage”, aponta.

Para Verdi, o principal desafio futuro da Totvs é a internacionalização do produto, segundo ele uma demanda crescente dos clientes. “O custo deste trabalho a SAP já pagou anos atrás”, assegura.

Comentário no Quentinhas
A coletiva da SAP na Federasul foi tema de comentário do editor do Baguete, Maurício Renner, em post no blog Quentinhas.

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