O Rio Grande do Sul foi o estado de maior crescimento para os negócios da paulista Dimep Sistemas em 2008. Ao passo que, como um todo, a empresa cresceu 12%, por aqui a expansão foi de nada menos que 110% só em Caxias do Sul. Em Porto Alegre, as vendas da companhia aumentaram 11,2%; em Passo Fundo, 58,2%; Santo Ângelo, 27,7%; e Pelotas, 21%.

Conforme o presidente da organização, Dimas de Melo Pimenta II, o resultado se baseia no fato de o mercado gaúcho ser, cada vez mais, um consumidor assíduo de tecnologia.

“Fiz uma pesquisa, e percebi que São Paulo, para as empresas em geral, representa em torno de 50% dos negócios. Em seguida, vêm Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O Rio Grande não fica com menos de 10%, o que é uma participação muito significativa”, destaca ele.

Outra alavanca para o crescimento das vendas no estado, segundo Dimas II, foi a diversificação nos produtos da Dimep, que fabrica soluções para controles de ponto e acesso.

“No início, a empresa fabricava relógios de ponto. Hoje, são ferramentas completas e sofisticadas, aplicáveis a segmentos dos mais diversos, como estacionamentos e o ramo da segurança”, explica o executivo.

Também ajuda o fato de a empresa fornecer uma solução completa: hardware, software, leitora, crachá, tudo é da Dimep. Assim, quando precisa de assistência, o cliente não precisa fazer mais de uma ligação.

Com 550 funcionários diretos e 340 indiretos, a Dimep mantém fábrica em São Paulo e filiais ou concessionárias próprias em todas as capitais e principais cidades brasileiras. Ao todo, são 62 pontos de venda e assistência técnica. Fora isso, também há unidades em Portugal, aberta na década de 70, Estados Unidos e México, inauguradas no ano passado.

As vendas internacionais compreendem, ainda, diversos países da Europa, África e toda a América Latina.

Já na carteira de clientes, a organização acumula nomes de peso, como Vale, Avon, Bradesco, Itaú, Unibanco, Votorantim, Gol, TAM, Perdigão, Peugeot, Petrobrás e Habibs, entre vários outros.

Com tudo isso, a empresa não teme a crise. “Estamos preparados para enfrentar uma eventual retração em 2009”, admite Dimas II. “Mas não estamos pessimistas. Avaliações de mercado que consultamos no início deste ano dão conta de uma variação negativa geral, no Brasil, de 17% em janeiro e 9% em fevereiro. Apesar disso, creio que nossas vendas se manterão no mesmo patamar de 2008, ou crescerão”, comenta o executivo.

O presidente relata que, até agora, nenhum cliente cancelou contratos com a companhia paulista. Adiamentos, porém, já ocorreram. “Há os que preferem esperar um melhor momento econômico para comprar”, justifica ele.

Muito se fala, pouco se esclarece
Para o executivo, na verdade, o desenho da crise ainda não está completamente nítido.

“Vive-se uma instabilidade, uma realidade não muito clara. No Brasil, creio que pese ainda mais sobre as empresas os altos custos tributários e trabalhistas, por exemplo. Acredito que uma governança menos ambiciosa, em relação aos tributos, e menos protecionista, em relação ao emprego, seria mais eficiente para o país”, declara o presidente.