Lisandro Jacobus e Jorge Andrade

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O Internacional terá um sistema interno para controlar, unificar e digitalizar  informações sobre mais de 300 atletas ligados ao clube atualmente dispersas em fichas de papel, arquivos e planilhas eletrônicas espalhadas por diversos departamentos do clube.

Em desenvolvimento pela gaúcha DBC, um portal interno reunirá desde informações médicas, até dados sobre os contratos dos jogadores, passando pelo histórico escolar e os dados dos scouts dos jogadores - as famosas tabelas com passes, desarmes e gols adoradas pelos comentaristas esportivos.

“O clube já tem uma gestão profissional. Agora queremos entregar ferramentas e mais informações para os gestores”, explica Jorge Andrade, coordenador das divisões de base do departamento de futebol do clube gaúcho.

A visão por trás do projeto é integrar as categorias de base do clube, nas quais jogam desde crianças de 10 anos até os jovens de 23 anos no plantel do Inter B, ao grupo profissional do Internacional, hoje com 30 jogadores. A iniciativa faz parte do planejamento estratégico do Inter para os próximos 10 anos.

“Os jogadores são o principal patrimônio do clube”, comenta Andrade, destacando o papel que informação disponível com agilidade pode ter na hora de fazer uma venda, promover um jogador infantil ao time mirim ou assinar o primeiro contrato com uma jovem promessa.

Não se trata de discurso vazio. A negociação de em média duas vendas milionárias de craques surgidos nas categorias de base por ano para o futebol europeu tem mantido tem sido vital para manter as contas do clube em dia e permitir a contratação de reforços para o time principal.

Só as vendas do atacante Taison e do volante Sandro para os futebol ucraniano e inglês renderam estimadamente – o Inter não revela valores - R$ 36,8 milhões. Ao mesmo tempo, cresce o assédio sobre jovens talentos como o atacante Andrigo, antes mesmo que os jovens atinjam a idade mínima de 16 anos necessária para assinar um contrato profissional.

“Ninguém no Brasil tem um sistema com a profundidade do que estamos desenvolvendo”, acredita Andrade – filho do lateral esquerdo de mesmo nome que atuou pelo Inter no começo dos anos 70 - destacando que foram analisadas ferramentas usadas por clubes como Atlético Paranaense, Corinthians e Cruzeiro.
 
A DBC tem oito profissionais alocados no projeto, que tem por meta fazer entregas de módulos funcionais a cada dois meses, dentro do conceito de desenvolvimento ágil de software. A perspectiva de trabalhar para o clube do coração agitou a companhia, que tem 60 profissionais na sua fábrica de software.

“Todos os envolvidos no projeto são colorados. Foi uma briga para entrar”, revela Lisandro Jacobus, diretor de Operações da DBC, ele próprio torcedor do Internacional. “Todo o sistema esta sendo feito em Java de maneira aberta e integrada ao resto dos sistemas do Inter. O portal será um patrimônio do clube”, aponta Jacobus.