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A Resource quer incorporar R$ 471 milhões ao seu faturamento até 2015 por meio de uma estratégia de aquisições.
 
Uma das cinco maiores integradoras de TI do Brasil, a empresa paulista revelou a projeção nesta quarta-feira, 23, durante a divulgação dos seus resultados de 2011 para jornalistas em São Paulo.
 
Dona de um faturamento que cresceu 35% em 2011, para  R$ 260 milhões – R$ 50 milhões deles resultado da compra da carteira de grandes clientes SAP da BBKO no começo do ano – a empresa projeta faturar R$ 364 milhões até o final do ano que vem, dos quais R$ 30 milhões serão resultado de outra aquisição.
 
Trabalhando com uma meta de crescimento anual de 25%, a Resource espera encerrar 2015 faturando um total R$ 900 milhões, dos quais pouco mais da metade terá sido somado inorganicamente, por meio das aquisições.
 
Quem, por quando e como
Estabelecido que a companhia pretende comprar, o assunto passa a ser quem, por quanto e de que maneira. Como se pode entender, a Resource é um pouco mais misteriosa nesse departamento.
 
“Nós vamos comprar tecnologias de nicho ou entrar em segmentos de mercado aonde ainda não estamos presentes. Se as adquiridas terão faturamento de 10, 50 ou 100 milhões, as condições de mercado vão dizer”, comenta Gilmar Batistela, presidente da Resource.
 
Histórico de compras
A Resource começou seu movimento de consolidação de mercado em 2006, com aquisição da OneCode, uma pequena empresa especializada em SOA e BPM.
 
Depois, vieram as carteiras de clientes da DTS, Ogeda e Tecnolog, companhias fortes nas áreas de processamento de cartões e bancária, nas quais a Resource surgiu em 1991, e que ainda hoje respondem por metade do faturamento.

[Com a aquisição da BBKO, a empresa ganhou um pé forte no mercado SAP em manufatura, hoje 25% do negócio. Os outros 25% vem de serviços nas áreas de telecomunicações e seguros].
 
A companhia não revela os valores envolvidos em nenhum das compras realizadas até agora, apenas que foram feitos em cash e com recursos próprios.  
 
No caso já citado da compra da BBKO – assim como da Hold, desenvolvedora de sistemas para área financeira comprada em 2009 – a empresa dá uma pista do faturamento das adquiridas no momento do negócio, na faixa dos R$ 50 milhões.
 
“Hoje a capacidade operacional da empresa permite que uma incorporação desse tamanho aconteça com naturalidade”, garante Batistela, frisando que todas as compras até agora foram “um sucesso, tanto frente a clientes como colaboradores”.
 
Possíveis alvos
Batistela aponta como ramos promissores para novas aquisições mobilidade e cloud computing.
 
Respaldam a afirmação do executivo o investimento de R$ 500 mil na estruturação de uma oferta SAP Mobile e o início da parceria de prestação de serviços na plataforma da SalesForce, hoje em apenas dois clientes, mas com um pipeline de 10.
 
O presidente da Resource não disse isso abertamente, mas parece haver potencial para compras na área de governo, onde a companhia tem hoje uma presença “insignificante” e está de olho numa fatia maior, seja diretamente ou trabalhando em parceria com multinacionais, como a IBM.
 
Financiamento
É no assunto financiamento que a empresa é mais discreta. Batistela não revela o valor das compras ou o tamanho do seu caixa, nem dá maiores detalhes sobre como poderiam ser financiadas operações de porte maior no futuro, fora da faixa atual de R$ 50 milhões de faturamento.
 
“Eu vejo como um bom caminho uma entrada de capital do BNDES”, se limitou a dizer o presidente da Resource, sem descartar a venda de uma parcela minoritária do negócio ou uma abertura de capital no longo prazo.
 
Expansão Sul Americana
Parte do projeto de crescimento da Resource passa por uma expansão latino americana, na esteira das demandas de cobertura de clientes internacionalizados.
 
A empresa acaba de abrir filiais em Santiago do Chile e Buenos Aires, na Argentina, e projeta ainda Colômbia e México nos próximos dois anos, com um investimento total de R$ 5 milhões.
 
Além do atendimento local aos clientes, as novas bases podem vir a ser destinação para fábricas de software.
 
Atualmente, a Resource, que é certificada CMMI nível 3, mantém a maior parte do seu desenvolvimento em São Paulo, onde tem um total de 8 mil m2 de escritórios, incluindo capital e cidades no interior.
 
Ex-IBM está no Conselho
A apresentação desta quarta-feira, 23, foi também a primeira aparição pública de Rogério de Oliveira, ex-presidente da IBM Brasil, hoje presidente do conselho de administração da Resource.
 
O envolvimento de um executivo com o cacife de Oliveira, que fez carreira ao longo de 40 anos na IBM, é um dos líderes da poderosa Brasscom e também tem cadeira no conselho da Totvs, dá respaldo aos projetos da companhia, ainda que não esteja claro seu grau de envolvimento com os negócios.
 
“O conselho ajudará a supervisionar e a melhorar os processos de operação e cooperará nos planos de crescimento: isso é governança”, explica Oliveira, dizendo que se sentiu identificado com o estilo “olho no olho” de Batistela e com o desafio de atuar em uma empresa em crescimento. “Aqueles planos de jogar mais tênis ficaram para lá”, brinca Oliveira.
 
* Maurício Renner viajou a São Paulo à convite da Resource.