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O governo brasileiro estuda a criação de barreiras à entrada de celulares chineses no país.

Uma investigação no Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior está em andamento, motivada por reclamações de “concorrência desleal” levantadas pela indústria brasileira.

Segundo pesquisa da Abinee, a participação da China em celulares importados saltou de 54%, em fevereiro de 2011, para 85% em agosto do mesmo ano.

Alguns aparelhos, dizem os fabricantes nacionais, chegam ao país por US$ 12, enquanto que o menor custo de produção dentro do Brasil é de US$ 38.

Há suspeita de que as fábricas chinesas estejam usando o benefício de exportação concedido pelo governo chinês para conquistar espaço no mercado brasileiro.

Será que vai?
Apesar de analisar o caso, erguer as restrições envolve mais do que proteger o fabricante da casa.

O jornal Financial Times, em matéria sobre as possíveis barreiras, relembra que o Brasil se beneficia da exportação de commodities para a China.

Em 2011, o país asiático gastou US$ 31 bilhões com produtos brasileiros – e cerca de 80% desse valor corresponde à venda de minério, petróleo e soja.

Segundo Fernanda De Negri, pesquisadora do Ipea que analisou as exportações no ano passado, justamente por causa das compras chinesas, as commodities voltaram a dominar as exportações do Brasil.

Por décadas, diz a pesquisadora, a participação das matérias-primas nas vendas brasileiras para o exterior girou em torno de 40%.

Em 2010, mesmo ano em que exportações brasileiras para a China cresceram 30%, chegou a 51%.

Tal participação elevada de produtos primários preocupa o governo pela dependência da balança exportadora da exploração desse tipo de recurso. O governo já expressou, por exemplo, a intenção de agregar mais valor aos produtos exportados à China, com uma guinada para os manufaturados.

Primarização demais
De acordo com o Ipea nos últimos três anos, a "primarização" da pauta de comércio reflete a perda de competitividade do país no comércio internacional em outros grupos de produtos, que não commodities, especialmente os mais intensivos em tecnologia.

Enquanto isso, a China manda os produtos de tecnologia para cá.

Os desembarques de partes para telefones fabricados na China aumentaram de US$ 86,4 milhões para US$ 133,8 milhões no acumulado de janeiro a março de 2010 para o mesmo período de 2011.