Acordo entre Viavale e Ericsson foi assinado na Futurecon

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A gaúcha Viavale Telecom, de Santa Cruz do Sul, será a primeira empresa do Sul do Brasil a contar com a tecnologia Gigabit Passive Optical Network (GPON) da Ericsson em sua rede, com implementação da gaúcha Wecom.

A tecnologia permite a transmissão de dados com conexões de até 2,5 gigabytes por segundo.

“A principal diferença é que os dados circulam na velocidade da luz, e não por pulsos elétricos. Dessa forma, não existe interferência de sinal e a qualidade do acesso é muito superior porque a fibra vai até dentro da casa do cliente”, explica o diretor da Viavale, Jonathan Jandrey Borges.

100 por hora numa Ferrari
Hoje, a Viavale oferece planos de 300 Kbps (por R$ 39,60), 600 Kbps (R$ 49,50), 1 Mbps (R$ 79,90), 2 Mbps (R$ 90) e 3 Mbps (R$ 104,40).

Segundo Gabriel Fabres Castro, gerente de marketing da Viavale, a ideia é, inicialmente, manter as mesmas ofertas de pacotes e investir na qualidade dos serviços hoje prestados pela empresa.

“As velocidades e os planos comerciais ainda estão em debate, mas não serão trabalhados planos diferentes dos praticados no mercado”, explica.

Borges recorre ao automobilismo para explicar a diferença.

“O cliente percebe a diferença entre andar a 100 Km/h em um carro 1.0 e numa Ferrari e, do mesmo jeito vai notar a navegação em 4Mb de fibra e nos outros modos de acesso”, ilustra.

Fibra ótica em casa
Conforme Marcos Kuhn, diretor de tecnologia da porto-alegrense Wecom, empresa que desenvolveu o projeto da Viavale e será responsável pela instalação e manutenção dos equipamentos, um dos ganhos principais da tecnologia é levar a fibra para dentro da casa do cliente.

Hoje, as tecnologias levam a fibra ótica até o poste e, dentro da casa, chegam via cabo de cobre. Já a GPON leva a fibra até o cliente.

Além disso, tecnologias como a ADSL, campeã de uso no Brasil com 9,7 milhões de acessos, segundo dados apurados pela Teleco referentes ao segundo trimestre desse ano, chegam hoje a 24 Mbps na ponta, diz Kuhn. A GPON oferece 100 vezes essa velocidade.

“Ela é chamada de a nova banda larga. Hoje, os maiores pacotes já não atendem certos usuários e são muito caros. A GPON permite um uso mais racional da fibra ótica”, explica Kuhn.

Conforme a Ericsson, a tecnologia GPON também possibilita, no mesmo cabo, a oferta de TV, voz e dados, combos hoje oferecidos por operadoras como a NET, maior do Brasil em TV por assinatura.

Atualmente, a NET atua com a oferta na cidade, com outorga válida até 12 de dezembro desse ano.

85% de cobertura
Hoje com 40 quilômetros de rede própria, a Viavale pretende duplicar a extensão da malha, atingindo 85% da cidade que tem 118,3 mil habitantes.

A tecnologia faz parte dos planos da empresa de oferta de banda larga via fibra ótica para clientes residenciais, hoje maioria dos mais de 6 mil clientes da empresa, conectados via rádio.

Fundada em 1995, a Viavale tem hoje 100 colaboradores diretos e indiretos e prevê um aumento no faturamento de 20% para esse ano. A empresa não divulga os valores nominais de seu desempenho financeiro.

Wecom
Já a Wecom, fundada por três ex-executivos da Ericsson, deve fechar 2011 com um faturamento de R$ 20 milhões. Desde a fundação, em julho do ano passado, a empresa já multiplicou seu capital social em mais de 30 vezes, saltando de R$ 100 mil para R$ 3,5 milhões.

GPON pernambucano
No Brasil, a Ericsson já implementou o sistema numa construção da Odebrecht Realizações no empreendimento Morada da Península, em Pernambuco, em parceria com a IPQ Tecnologia. A tecnologia foi usada na infraestrutura para internet e TV das 67 casas presentes no condomínio.