Santanna poderá deixar a Telebrás

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O gaúcho Rogério Santanna pode estar com os dias contados na Telebrás.

Segundo nota publicada na coluna Panorama Político no último sábado, 28, no jornal O Globo, o ministro das comunicações, Paulo Bernardo, convidou o secretário-executivo da pasta, Cezar Alvarez, para assumir a estatal.

A notícia, embora não confirmada oficialmente, não surpreende.

Racha anunciado
Em evento realizado em Porto Alegre pelo setor de Telecom, pequenos e médios empresários do ramo no Rio Grande do Sul expressaram preocupação com alguns desacordos no discurso de Santanna e Bernardo.

Na visão dos provedores, a ideia original, defendida por Santanna, de que os pequenos fariam a entrega na última milha, vinha sendo ofuscada aos poucos pelo que chamaram de “aproximação perigosa” do ministro com as grandes operadoras.

Ou seja, Santanna levantava uma bandeira, enquanto Bernardo erguia outra.

“O governo, primeiro, tem que se acertar dentro de casa. Ele tá dando declarações catatônicas, escalafobéticas, sei lá ... até me falta adjetivo para explicar isso”, comentou, na época, o vice-presidente da Federasul, Jaime Wagner.

O temor era que o gaúcho estivesse perdendo força dentro dos planos do governo para o mercado de telecomunicações, concretizado no Programa Nacional de Banda Larga (PNBL).

Sem sintonia?
Seis depois da passagem do diretor da Telebrás por Porto Alegre, o ministro declarou ao jornal Valor Econômico que a estatal chefiada por Santanna “precisava de ajustes”.

“Não é tarefa dela (Telebrás) disputar mercado com as teles que estão no setor. A Telebrás deve ajudar mais a regular esse mercado, o preço da rede. Ela vai sair da disputa para ser uma articuladora de ações. É com isso que estamos contando”, disse Bernardo, ao Valor.

No início de maio, na Business IT South America (BITS), também em Porto Alegre, a falta de sintonia entre cúpula do ministério e Santanna ficava mais evidente.

Enquanto o próprio Alvarez e uma representante da Anatel dividiam o palco com operadoras e entidades europeias em evento sobre a cooperação Brasil-União Europeia, Santanna voltou a criticar as operadoras, em outra palestra, em que dividiu as atenções com Demi Getschko, do CGI.br, e Eduardo Parajos, da Abranet.

Enquanto isso...
No meio das aparentes disputas internas, o PNBL atrasa. O próprio Santanna já declarou que a meta de 1.163 cidades com infraestrutura instalada até 2011 não será atingida, em função do contingenciamento de recursos no governo.

O PNBL foi criado para levar internet banda larga aos “rincões do Brasil” por R$ 35 ao mês, com velocidade de 1Mbps.